O projeto de mediadores comunitários na Ameixoeira e Galinheiras, em Lisboa, forma moradores de diferentes etnias, géneros e idades para atuarem junto da sociedade na resolução de vários problemas, disseram os voluntários à agência Lusa.

«Foi bom criarem o projeto, porque há uma grande necessidade. O facto de termos uma grande diversidade de etnias também é bom», diz Rúben Maia, um dos mediadores da Ameixoeira e Galinheiras, freguesia de Santa Clara.

O jovem de 23 anos conta que foi influenciado a entrar para o grupo pelo pai, António Maia. Ambos representam, juntamente com Mário Lino e Hélder Mendes (estes últimos, tio e sobrinho), a população cigana. A par destes, compõem os mediadores comunitários o senegalês Seck Sar e o mauritano Hamady Counibany, assim como Vítor Antunes, Joana Assunção, Filipa Xavier e Janete Maria.

Os dez voluntários, com idades entre os 23 e os 59 anos, entraram no projeto para participarem mais ativamente na zona e para ocupar o tempo. A grande parte do grupo também já tinha participado em associações locais e o facto de assistirem à existência de roubos, vandalismo e conflitos levou-os a querer mudar a zona, através desta iniciativa.

Apesar de a maioria ainda não ter atuado diretamente no terreno, Rúben, António e Hamady já têm histórias para contar: «Quando saímos à rua, por casualidade, ouvimos um barulho. As pessoas aqui da zona respeitam-me muito e, por isso, intervim logo. Trouxe logo uma das famílias [ambas ciganas] para o sítio deles e parou a situação», explicou António Maia, de 44 anos.

Estes é um exemplo do papel dos mediadores, mas o objetivo da iniciativa é também aproximar os habitantes das diferentes zonas da Ameixoeira, já que as pessoas da zona de realojamento não conhecem os habitantes da parte central e vice-versa, e porque os mediadores habitam em diferentes partes, sintetizou Joana Assunção, de 30 anos.

Alguns dos moradores já sabem quem são os mediadores comunitários e qual o seu papel. Porém, a «população trabalhadora cá do bairro ainda não teve conhecimento do projeto», assinalou Anfititri Mendes, de 39 anos. A comerciante reconheceu, contudo, a sua importância, visto que «a população sente-se representada, pois o grupo está constituído por várias etnias».

O projeto está relacionado com o policiamento comunitário na Ameixoeira feito pela Polícia Municipal, no qual o papel dos mediadores foi crucial para introduzir o conceito à população.

A formação destes voluntários começou em outubro e está agora a terminar, mas pretende-se ir mais longe. O coordenador do projeto e também agente da PSP, Joaquim Saraiva, esclareceu à Lusa que vão apresentar uma candidatura à Câmara Municipal de Lisboa para outro projeto BIP/ZIP (Bairros de Intervenção Prioritária/Zonas de Intervenção Prioritária), com o intuito de serem «mais interventivos» e efetuarem «ações de sensibilização».