Um centro de saúde de Oliveira de Azeméis, o de São Roque, foi evacuado, esta manhã de sexta-feira, depois de um indivíduo ter telefonado para o local a ameaçar acionar um engenho explosivo, caso as consultas desmarcadas não fossem repostas, revelou fonte dos bombeiros locais à Lusa.

À TVI24, o tenente Bruno Marques, comandante do destacamento territorial da GNR, confirmou que foi um telefonema que motivou a evacuação de quatro edifícios: junta de freguesia, café, centro de saúde e capela mortuária. Foram retirados desses locais entre 20 a 30 pessoas.

Foi destacada ao local uma equipa de inativação de explosivos da GNR, que verificou que não havia perigo. O alerta foi dado por volta das 10:30. A situação foi resolvida por volta das 13:00 e a normalidade retomada pouco depois, às 13:15.

"Ao que nos explicaram, houve uma série de consultas que tiveram que ser desmarcadas estes dias porque uma médica do centro de saúde está de baixa", declarou à Lusa o comandante da corporação de bombeiros de Oliveira de Azeméis, Paulo Vitória.

Alguém não deve ter ficado satisfeito e ligou para lá a partir de um número anónimo, a dizer que, se as consultas não fossem remarcadas até ao final do dia de hoje, fazia explodir o dispositivo que deixara no centro de saúde"

A ameaça foi feita a partir de um número de telefone "não identificado" e, segundo o comandante dos bombeiros, envolveu "uma mensagem [áudio] gravada", repetida em loop.

"Brincadeira de mau gosto"

O comandante dos bombeiros disse que "tudo terá sido uma brincadeira de mau gosto". Até porque até às 13:00 ainda não fora encontrado qualquer engenho explosivo no local e logo depois a GNR "já estava a permitir que as pessoas entrassem outra vez no edifício".

Em todo o caso, a ameaça será sujeita a investigação policial e, observou, "nesta fase os suspeitos são todos os utentes que tiveram uma consulta desmarcada".

Novo médico após ameaça de bomba

Os 1.800 utentes do centro de saúde de Oliveira de Azeméis terão um novo médico a partir de 1 de março, revelou a administração daquela unidade.

Em causa está o Centro de Saúde de São Roque, onde uma médica de família entrou de baixa na segunda-feira devido a uma gravidez de risco, o que levou ao cancelamento de "centenas de consultas".

"O que aconteceu hoje é uma situação lamentável, mas temos uma médica que meteu atestado por estar com uma gravidez de risco e, como não tem previsão de regresso ao trabalho, as consultas tiveram mesmo de ser canceladas", disse à Lusa o diretor-executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Entre Douro e Vouga II Aveiro Norte, Miguel Portela.

"Pedimos logo alguém para a substituir e no dia 1 de março essa pessoa já estará ao serviço. Como em Portugal não temos médicos a mais, estas coisas levam o seu tempo", explicou.

Miguel Portela disse entender a "apreensão" dos utentes que se viram sem consulta, mas apela à compreensão por parte da comunidade, sobretudo tendo em conta que na origem do problema está a segurança de uma gravidez.