O relatório preliminar sobre o surto de legionella revela que as "estirpes encontradas são indistinguíveis com as melhores técnicas laboratoriais que existem", segundo a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas. A fonte exata da infeção já é conhecida da DGS, mas Graça Freitas não a revelou publicamente. Vai enviar a informação ao Ministério Público. Uma coisa é já certa: a infeção teve origem no perímetro do Hospital São Francisco Xavier.

Depois de toda a investigação e com todos os dados em nossa posse, epidemológicos, ambientais (...) à data conclui-se com elevada probabilidade que a fonte de infeção estará localizada no perímetro do Hospital São Francisco Xavier".

Em conferência de imprensa, Graça Freitas frisou que este é apenas um relatório "preliminar", que os dados não estão completos, até porque "os doentes não adoeceram todos no mesmo dia".

É evidente que foi apurada alguma coisa, estão descritos os factos. Tivemos lá equipas técnicas nossas e da ARS Lisboa e Vale do Tejo a fazerem uma observação pormenorizada de todos os equipamentos e instalações que tenham a ver com sítios de água onde possam permanecer as legionellas. É evidente que essa informação que foi colhida está documentada e o relatório foi entregue ao Ministério Público".

Tudo indicava, segundo foi noticiado, que a fonte do surto seria uma torre de refrigeração. Porém, a diretora-geral de Saúde não quis detalhar se a font "é da torre A, B ou C ou de outro sítio", argumentando que "é irrelevante do ponto de vista da saúde pública", uma vez que as medidas para interromper o surto "foram tomadas".

Não quis adiantar mais informação até o Ministério Público autorizar a divulgação pública e a DGS ter um relatório definitivo.

Surto deve entrar em fase de resolução

Embora continuem a aparecer novos casos de infetados todos os dias ou quase, a diretora-geral de Saúde aponta para que o surto esteja resolvido entretanto.

Tudo indica que o surto vai entrar em fase de resolução, se bem que - e realço novamente - seja possível que seja possível que nos próximos dias seja possível ocorrerem casos". 

 Só de ontem para hoje surgiram três novos casos, para um total de 54 doentes. "Temos um caso diagnosticado hoje, dia 15, mas que iniciou sintomas no dia 13", apontou, para exemplificar que quando as pessoas se sentem doentes, nem todas procuram de imediato o hospital, pelo que o diagnóstico pode demorar mais tempo a ser efetuado. Graça Freitas desejou aos doentes "uma rápida recuperação". 

Ações tomadas desde que o surto começou

A DGS tomou conhecimento do "pequeno agrupamento de casos de doentes com doença dos legionários" no dia 3 de novembro, sendo que o surto, percebeu-se depois, começou a 31 de outubro.

Na tarde do dia 3, foi feita uma avaliação do risco. "Criámos duas linhas muito rápidas de investigação: referente aos doentes e ao ambiente".

Iniciámos a investigação epidemologica dos casos, colheita de água e amostras de água e secreções respiratórias dos doentes e adotámos as medidas de correção das possíveis fontes de infeção: as estruturas que têm a ver com a rede de água quente e fria e com as torres de arrefecimento".