Portugal vai manter-se em estado de alerta vermelho até às 20:00 de segunda-feira por causa do calor, anunciou, este domingo, Patrícia Gaspar, adjunta da Proteção Civil.

"Estamos a viver uma situação muito difícil em termos daquilo que são as operações de combate no terreno, sobretudo porque, temos de compreender, os meios que temos alocados nos diferentes teatros de operações, na prática, tem de se dividir em duas missões de igual importância. Por um lado, garantir a proteção às habitações e ao mesmo tempo não descurar as operações de combate", afirmou.

Falando num 'briefing' aos jornalistas pelas 22:00, na sede na ANPC, em Oeiras (distrito de Lisboa), Patrícia Gaspar confirmou a ideia transmitida anteriormente de ser este “o pior dia do ano” em termos de incêndios, com 443 incêndios florestais, desde as 00:00.

Patrícia Gaspar disse ainda que o número de feridos resultantes de ocorrências durante o dia ronda os 25, embora tenha ressalvado que estes são dados "a precisar de confirmações, dados os elevados fluxos de informações".

A responsável da Proteção Civil referiu também existirem 108 ocorrências ativas, de elevada complexidade, sendo que destas 33 são grandes incêndios.

"As previsões atualizadas do IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], apesar nos indicarem uma noite menos complexa, com alguma precipitação, não são expressivas e não vão ter o impacto desejado nas operações em curso", justificou a adjunta de operações nacional.

Patrícia Gaspar admitiu que a chuva esperada não vai ser suficiente para extinguir os incêndios, mas considerou que "mais humidade e menos vento possam vir a ser aliados".

Entretanto, depois do ‘briefing’, as autoridades confirmaram o registo de três mortos – dois num incêndio em Penacova (distrito de Coimbra) e um na Sertã (distrito de Castelo Branco).

Este domingo, Portugal acionou, devido aos incêndios florestais, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Há, em diferentes zonas do país, habitações ardidas, várias aldeias evacuadas e mais de 20 estradas cortadas (inclusive autoestradas, estradas nacionais e itinerários principais) em diferentes zonas do país. Também as linhas do Norte e da Beira Alta foram cortadas devido aos fogos.