A Proteção Civil garante que este está a ser "o pior dia do ano em matéria de incêndios", segundo afirmou Patrícia Gaspar, adjunta de operações nacional.

Desde a meia-noite, foram registadas 303 ocorrências e todos os distritos do continente estão em alerta vermelho até às 20:00 de amanhã.

"Apelo aos portugueses a que se abstenham de qualquer uso de fogo."

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Vinte e três pessoas ficaram feridas este domingo sem gravidade, sendo 17 bombeiros e seis civis.

Patrícia Gaspar sublinhou que foi pedida ajuda a Espanha, mas, devido aos graves incêndios que também afetam o país-vizinho, não foi possível disponibilizar meios para virem para Portugal

Cerca de duas dezenas de grandes incêndios estavam ativos no país pelas 19:30, mobilizando quase 2.500 operacionais, 730 meios terrestres e três meios aéreos, de acordo com a Autoridade da Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Às 19:15, o incêndio que mais operacionais mobilizava era o da Lousã, no distrito de Coimbra, que mais de 10 horas depois de ter deflagrado, tinha ainda duas frentes ativas. Eram 498 operacionais, 136 meios terrestres e um helicóptero que combatiam este fogo.

Seguia-se depois o fogo de Seia, no distrito da Guarda, que teve início às 06:00 de hoje no Sabugueiro, e que tinha quatro frentes ativas. Eram 306 os operacionais que tentavam apagar as chamas, apoiados por 93 veículos e um helicóptero. O incêndio obrigou ao corte da EN17.

Depois, o incêndio de Vale de Cambra, no distrito de Aveiro: o fogo que teve início hoje às 07:15 estava em Macieira de Cambra tinha duas frentes ativas e era combatido por 295 operacionais, apoiados por 92 meios terrestres.

O fogo na Sertã, no distrito de Castelo Branco, continuava com duas frentes ativas, depois de ter começado pelas 12:00 na localidade de Ponte de Portelinhas. As chamas estavam a ser combatidas por 276 operacionais, apoiados por 82 veículos.

As duas frentes ativas do fogo em Monção (distrito de Viana de Castelo) eram combatidas por 226 operacionais apoiados por 63 veículos. A Estrada Municipal entre Longos Vales para Merufe está cortada. O fogo arde há quase 24 horas.

Em Alcobaça, no distrito de Leiria, dois incêndios: um na localidade de Burinhosa era combatido por 154 operacionais e 47 meios terrestres e outro na localidade da Praia da Légua, onde 118 operacionais tentavam apagar as chamas, apoiados por 36 veículos e um helicópetro.

Mais de 100 operacionais combatiam incêndios em Óbidos (Leiria), na Figueira da Foz e Arganil (Coimbra), e mais de 50 tentavam apagar as chamas em Santo Tirso (Porto), Vagos (Aveiro), Guimarães (Braga), Resende (Viseu), Braga (Braga) e Cinfães (Viseu).

Casas arderam e populações foram retiradas

Várias habitações arderam e mais de 15 povoações foram evacuadas devido aos incêndios de Monção, Seia e Lousã.

Arderam habitações em Monção (em Velhas, São Paio e Barbeita), em Vale de Cambrã ardeu um jardim de infância (Pintalhos) e na Lousã "várias habitações foram afetadas".

A adjunta de operações nacional da ANPC indicou aos jornalistas que mais de 15 povoações tiveram de ser evacuadas devido aos fogos.

No incêndio de Monção (no distrito de Viana do Castelo), disse, foi necessário garantir a proteção de várias povoações, na freguesia de Bela: Melães, Costa, Silvas e Nogueira, que "chegaram a estar ameaçadas" e, em algumas destas situações "houve pessoas que foram retiradas das suas habitações para locais seguros para evitar qualquer tipo de ameaça mais direta".

No incêndio de Seia (Guarda), "exatamente a mesma situação", foi necessário retirar os utentes do lar do Sabugeiro e os moradores do bairro do operário em Vodra. As aldeias que estiveram mais ameaçadas de Santa Marinha, São Martinho, Vales, Póvoa Nova, Santa Luzia e Vale do Rossim.

No incêndio da Lousã (Coimbra), foram retiradas pessoas das suas casas "para locais seguros" nas povoações de Boque, do Forcado, na Terra da Gaga, Aldeia do Pico, Fonte Fria, Serpins e Lavegadas, "com o auxílio dos bombeiros, da GNR e da Cruz Vermelha".