Quinze museus encontram-se fechados no segundo e último dia da greve decretada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas, que regista uma adesão de 80%, disse à agência Lusa fonte sindical.

Segundo Artur Sequeira, daquela federação, encontram-se encerrados os museus Grão Vasco, os dois polos do dos Coches, o Soares dos Reis, Conímbriga, Alcobaça, Batalha, Arqueologia, Etnologia, Paços dos Duques, Arqueologia D. Diogo de Sousa, Coa, Forte de Sagres, Torre de Belém e as Ruínas de Guadalupe.

São 10 os museus abertos ao público, disse o sindicalista, precisando que alguns destes estão a funcionar com menos trabalhadores do que o habitual.

Encontram-se abertos ao público os museus do Chiado, da Música, do Azulejo, Ajuda, Machado de Castro, Frei Bartolomeu do Cenáculo, Museu de Évora, Convento de Cristo, Museu Nacional de Arte Antiga e Jerónimos.

O Museu Nacional de Arte Antiga está apenas a funcionar com uma sala, precisou.

Para o sindicalista, esta greve “teve uma excelente adesão”, o que vem dar razão às reivindicações dos trabalhadores, acrescentou.

Artur Sequeira considerou ainda que o Governo “tem todas as condições para dar cumprimento às reivindicações dos sindicatos”, sublinhando que vai continuar a tentar negociar com o executivo no sentido de ver cumpridas as reivindicações para o setor.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Funções Públicas decretou uma greve nacional dos trabalhadores dos museus, para sexta-feira e hoje, para contestar a falta de pessoal nos museus.

O Governo não tem dado resposta às necessidades dos trabalhadores, que se arrastam há anos”, disse Artur Sequeira, sublinhando que o ministro da Cultura se tinha comprometido a integrar 108 trabalhadores dos museus, o que acabou por não acontecer.

“Faz sete anos em junho que estes trabalhadores estão a trabalhar com contrato a termo incerto e a desempenhar funções de caráter permanente, e o senhor ministro tinha-se comprometido a integrá-los e não o fez”, referiu.

Artur Sequeira disse que os museus contam também com trabalhadores a recibos verdes e trabalhadores dos centros de emprego e se tal não acontecesse os museus não tinham trabalhadores suficientes para estarem abertos.

O setor da Cultura "tem uma falta de pessoal crónica por várias razões: aposentações de funcionários, saídas por acordo e o fecho das admissões na administração pública".

Outra das questões alvo de contestação dos sindicatos diz respeito ao projeto do Governo, em apreciação no parlamento, de municipalização das competências destes espaços culturais: "É o Ministério da Cultura que deve gerir estes serviços para garantir um serviço público de qualidade".

Outras reivindicações prendem-se com a reposição e criação de carreiras especiais, o abono para falhas, o regulamento de entrega e transporte de valores, o regulamento de fardamento, as condições de saúde e segurança no trabalho, e a formação profissional.

Na semana passada, fonte do Ministério da Cultura disse à Lusa que o Governo quer integrar 113 trabalhadores de museus e monumentos nos quadros da Administração Pública através de concurso, mas aguarda autorização da tutela das Finanças.