A Diretora-geral de Saúde explicou, esta quinta-feira, na TVI24, como é que há casos de pessoas vacinadas que contraem na mesma o vírus. Segundo Graça Freitas, essas pessoas contagiadas podem não ter feito o esquema vacinal correto (em relação ao número de doses e ao intervalo entre elas), ou podem ter contraído sarampo de uma “forma muito ligeira”, mesmo tendo a vacinação em dia.

“A vacina só fica completa com duas doses. É importante, para os pais de crianças que vão fazer um ano ou cinco, não esquecer que tem de se fazer o esquema. Uma dose pode não ser suficiente.”

A DGS sublinhou que, “extraordinariamente”, há pessoas que, mesmo com as duas doses, apanham o sarampo. Nestes casos, é porque tiveram “um contacto forte com o vírus”, e contraem “uma forma muito ligeira”. “Há sempre vantagem em vacinar-se, o risco é muito menor”, explicou.

Já ontem, também na TVI24, Graça Freitas tinha avançado que, dos sete casos confirmados até ao momento, três pessoas não eram vacinadas. Em pelo menos um caso, a pessoa não tinha o esquema vacinal completo. Mas há dois casos de profissionais de saúde do Hospital de Santo António que estariam vacinados.

A DGS já tinha declarado a existência de um surto no Porto, sendo que os primeiros casos não estavam relacionados com este hospital.

Como cinco dos casos confirmados são de profissionais de saúde, Graça Freitas apelou à vacinação destes. "Os serviços ou ele próprio devem confirmar o estado vacinal. Na dúvida, vacine-se", alertou.

"Quanto mais as pessoas estiverem vacinadas, menor é o risco de haver casos ou surtos."

Às pessoas que estiveram em contacto com estes sete casos ou com outros casos suspeitos (ainda há cerca de 30 em avaliação), a DGS aconselha a que liguem para a Saúde 24 (808 24 24 24) e não se desloquem a um centro de saúde ou hospital.

"O sarampo é altamente contagioso. A primeira medida é o isolamento social. Se tiver sintomas, como febre, conjuntivite, problemas com a luz, erupções cutâneas que começam pela cabeça e vão descendo pelo tronco, nunca ir para uma urgência."

Graça Freitas sublinhou que o "vírus selvagem" do sarampo "não está a circular" e que está a ser estudada a "cadeia de transmissão" destes sete casos. O primeiro terá sido importado de França.