A Raríssimas está sem dinheiro para poder continuar em funcionamento. O alerta é dos trabalhadores, pela voz da coordenadora do departamento jurídico da associação, que, em conferência de imprensa, realizada na Casa dos Marcos, na Moita, Setúbal, deu conta da situação atual, após a reportagem da TVI.

Não temos uma direção que possa validar os atos do dia a dia para que possamos funcionar. Corremos risco de fechar porque não temos dinheiro sequer, por muito tempo, para dar de comer aos nossos doentes. Não temos dinheiro por muito tempo para dar medicamentos aos nossos doentes e não temos dinheiro unicamente porque não temos acesso a ele. E nós não podemos pagar uma fatura que não é nossa", disse aos jornalistas Manuela Duarte Neves, nesta quinta-feira.

Em causa está a assistência a quase 200 utentes, muitos com cuidados permanentes, alertou a porta-voz dos trabalhadores, num apelo direto a António Costa.

É a si sr. primeiro-ministro que me dirijo. Não deixe que a nossa casa feche. A única coisa que lhe pedimos é que envie para esta casa uma comissão de gestão, uma direção provisória que possa fazer funcionar esta casa até que os meios legais e os meios estatutários possam funcionar. Temos tudo e temos doentes cheios de necessidades. O que fazemos aos doentes que estão na unidade de cuidados continuados? Vamos entrega-los às urgências dos hospitais?", apelou.

Manuela Duarte Neves contou, ainda, que "à exceção do diretor Nuno Branco" ninguém mais autoriza despesas. "Precisamos da direção para tomar decisões", reforçou.

De acordo com esta funcionária da Raríssimas, os inspetores da Segurança Social voltaram hoje à Casa dos Marcos, a segunda visita consecutiva.

"Hoje mesmo os inspetores estão aqui a fazer uma inspeção", adiantou.

A coordenadora do departamento jurídico da Raríssimas assumiu, também, que alguns dos mecenas da associação "até terem a certeza de que Paula Brito e Costa, o marido e o filho saíram desta instituição não colaboram mais".

Paula Brito e Costa demitiu-se da presidência da Raríssimas na sequência da investigação da TVI que revelou centenas de documentos que põem em causa a gestão da presidente da associação, instituição de solidariedade social que vive de subsídios do Estado e donativos.

Veja a reportagem:

Também o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor na Raríssimas, apresentou a demissão, que foi aceite por António Costa.

Na sequência da reportagem da TVI, o ministro do Trabalho e da Segurança Social garantiu que desconhecia a gestão danosa na associação, mas admitiu que as queixas já tinham chegado ao seu Ministério. Vieira da Silva anunciou que solicitou à Inspeção-Geral do seu Ministério, com carácter de urgência, uma inspeção global à Raríssimas.