"Absolutamente tranquilo" é como continua a sentir-se o ministro do Trabalho e da Segurança Social sobre o caso Raríssimas, denunciado após uma reportagem da TVI, apesar de recusar dar mais explicações, que prefere reservar para segunda-feira, perante os deputados, quando for ouvido em comissão. Vieira da Silva fez, aliás, questão de sublinhar que foi ele próprio quem pediu para ser ouvido no Parlamento.

Estou absolutamente tranquilo com o meu comportamento e o do meu Ministério neste processo. Aguardo com toda a vontade a chegada do momento na Assembleia República, que é o sítio certo, para prestar todos os esclarecimentos que os deputados me queiram colocar. Fui eu próprio que solicitei ao Partido Socialista para que apresentasse uma proposta para que me ouvissem e à equipa do Ministério na comissão de Trabalho e Segurança Social. Isso acontecerá na segunda-feira e estarei completamente disponível para responder a todas as questões, reafirmando a minha tranquilidade pela forma como esta instituição [a Raríssimas] foi tratada segundo o princípio da equidade e das normas que regem a relação entre o Estado e as instituições sociais."

O ministro não quis responder a mais questões e acabou mesmo por deixar os jornalistas sem resposta, perante as insistências sobre o conhecimento que tinha da situação de gestão danosa na Raríssimas e qual o seu envolvimento na associação. Insistiu, apenas, na tranquilidade que sente pelo seu desempenho em todo o processo, confiança partilhada pelo primeiro-ministro.

Como disse, estou absolutamente tranquilo sobre os serviços do Ministério, como estou tranquilo sobre o meu comportamento. Todas as outras informações serão prestadas na segunda-feira."

Antes de dar por terminada as declarações aos jornalistas, Vieira da Silva contou que aguarda, a qualquer momento, as primeiras informações dos inspetores da Segurança Social que nos últimos dois dias têm estado na Casa dos Marcos, na Moita, Setúbal.

Não tive ainda contacto com os inspetores, mas espero que, muito rapidamente, possam anunciar o momento em que vão apresentar os resultados."

Ainda sobre a Raríssimas, o governante disse ter duas prioridades, sendo a primeira "realizar a inspeção com rapidez (...) sem nenhuma limitação, para que os portugueses possam conhecer toda a verdade sobre o que se passou na instituição".

A segunda passa por assegurar o funcionamento da Raríssimas sem roturas, como temem os funcionários, que hoje mesmo fizeram um apelo ao primeiro-ministro, "para que as crianças e jovens beneficiários possam continuar a ter uma resposta".

Veja a reportagem sobre a Raríssimas e a entrevista ao secretário de Estado:

Paula Brito e Costa demitiu-se da presidência da Raríssimas na sequência da investigação da TVI que revelou centenas de documentos que põem em causa a gestão da presidente da associação, instituição de solidariedade social que vive de subsídios do Estado e donativos.

Também o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor na Raríssimas, apresentou a demissão, que foi aceite por António Costa.

Na sequência da reportagem da TVI, o ministro do Trabalho e da Segurança Social garantiu que desconhecia a gestão danosa na associação, mas admitiu que as queixas já tinham chegado ao seu Ministério. Vieira da Silva anunciou que solicitou à Inspeção-Geral do seu Ministério, com carácter de urgência, uma inspeção global à Raríssimas.