Concentrações e vigílias de solidariedade de apoio aos ativistas detidos em Luanda, entre os quais o luso-angolano Luaty Beirão que está há 24 dias em greve de fome, estão marcadas para esta quarta-feira em Lisboa e Coimbra.

A secção portuguesa da Amnistia Internacional vai estar presente na concentração e na vigília que se realizam esta quarta-feira em Lisboa.
 
“Luaty Beirão inspira especiais preocupações uma vez que o seu estado de saúde se encontra debilitado devido à greve de fome que encetou em protesto contra a sua detenção e de outros 14 ativistas. O ativista está desde 09 de outubro na Prisão Hospital de São Paulo, em Luanda, e durante três semanas ingeriu apenas água com sal e açúcar, providenciada por seus familiares. Aceitou a 11 de outubro que lhe fosse administrada solução salina por via intravenosa”.

A concentração de solidariedade para com os ativistas angolanos vai realizar-se frente ao Gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa, no Largo Jean Monet, ao que se segue uma vigília na Praça do Rossio, a partir das 18:30.

De acordo com o comunicado da Amnistia Internacional (AI), outro dos ativistas do grupo de prisioneiros de consciência, Nelson Dibango, entrou em greve de fome a 9 de outubro.

“A petição da Amnistia Internacional a favor destes 15 ativistas conta já com mais de 24 mil assinaturas em Portugal, em pouco mais de uma semana. Na ação de mobilização pública em Lisboa estará presente também o jornalista e defensor de direitos humanos Rafael Marques”, acrescenta a Amnistia Internacional, referindo-se ao autor do livro “Diamantes de Sangue, Corrupção e Tortura em Angola”.

Os 15 angolanos, detidos em junho, foram formalmente acusados em setembro de prepararem uma “rebelião” e “tentativa de golpe” e informados apenas a 05 de outubro, pelo que, segundo a AI, “estiveram em detenção pré-julgamento e sem formulação de acusação mais de 90 dias, como é definido por lei”.

A organização de direitos humanos entende que “as detenções e as acusações formuladas pelo Estado angolano contra os 15 ativistas constituem um exemplo chocante do quão longe as autoridades do país estão dispostas a ir para suprimir a dissidência pacífica”.