Morreu Fernanda Borsatti, apurou a TVI24. A atriz morreu aos 86 anos, vítima de doença prolongada, no Hospital da CUF, em Lisboa.

O corpo da atriz vai estar em câmara ardente na Igreja São João de Deus, em Lisboa, a partir das 17:00 de sexta-feira, e o funeral realiza-se no sábado, às 12:00.

De acordo com a Casa do Artista, a missa de corpo presente realiza-se na Igreja São João de Deus, junto à Praça de Londres, pelas 10:00, e o funeral segue depois, às 12:00, para o Cemitério dos Olivais.

O Presidente da República já apresentou as condolências à família de Fernanda Borsatti, recordando a participação da atriz, ao longo de décadas, em trabalhos televisivos diversificados, bem como no teatro, onde passou “por boa parte das companhias teatrais marcantes”.

“Atriz versátil, rosto familiar a todos os portugueses, foi presença ativíssima nos tempos heróicos do teatro filmado, na RTP”, escreveu Marcelo Rebelo de Sousa, de acordo com a mensagem publicada na página da Presidência, acrescentando que a “sua personalidade artística empática, afirmativa, efervescente, fica na (…) memória”.

O Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, também reagiu, manifestando “o seu profundo pesar” pela morte de Fernanda Borsatti, uma atriz que classificou como “inconfundível”, versátil e que deixou marca pessoal na arte de representar.

Nas palavras de Luís Filipe Castro Mendes, Fernanda Borsatti “sempre se destacou pela versatilidade, ao mesmo tempo que deixou uma marca pessoal na arte de representar”.

Ao longo de mais de seis décadas de trabalho, Fernanda Borsatti integrou diversas companhias de teatro, desempenhando também numerosos papéis no cinema e na televisão. Da revista à comédia, do drama à ficção, foi contemporânea do crescimento do teatro e do nascimento da televisão pública no nosso país, levando as artes a um maior número de cidadãos”, lembrou o ministro, numa nota enviada às redações.

Nascida em Évora, a 31 de agosto de 1931, Fernanda Borsatti interpretou os mais diversos géneros teatrais, desde revista a comédia, passando pelas peças dramáticas.

Ao longo da carreira artística, passou por mais de dez companhias de teatro, entre as quais o Teatro Maria Vitória, a Companhia Laura Alves, a Companhia Raul Solnado, o Teatro Maria Matos e a Casa da Comédia.

Fernanda Borsatti integrou ainda o elenco do Teatro Nacional D. Maria II entre 1978 e 2001, tendo trabalhado com realizadores como Henrique Campos ou José Fonseca e Costa.

No Teatro D. Maria II participou nas peças “O Bicho”, “O Tempo Feminino”, “O Fidalgo Aprendiz” (com Ruy de Carvalho), “Passa por mim no Rossio”, “As Fúrias”, “O Crime da Aldeia Velha” e “Não Digas Nada”, entre outras.

Entre as longas-metragens que integrou no cinema, contam-se “Sangue Toureiro”, “Pão, Amor...e Totobola”, “Domingo à Tarde”, “O Diabo era Outro”, “O Ladrão de quem se fala”, “A mulher do próximo”, “O Querido Lilás” e “A Corte do Norte”.

Na televisão integrou séries, ‘sitcoms’ e telenovelas, como “A vida privada de Salazar”, “Doce Fugitiva”, “Inspetor Max”, “Residencial Tejo”, “Lá em casa tudo bem”, “Gente fina é outra coisa”, “Eu show Nico” ou “A Dama das Camélias”.

Em 2007, Fernanda Borsatti recebeu a Medalha de Mérito Municipal, no seu Grau Ouro, da Câmara Municipal de Lisboa.

O seu último trabalho na televisão data de 2008, na série "A Vida Privada de Salazar", onde deu vida à Rainha D. Maria Amélia Orleans e Bragança.

Fernanda Borsatti foi casada com Armando Cortez, entre 1950 e 1958. Juntos tiveram um filho, em 1953, José Eduardo da Fonseca Cortez e Almeida.