A sentença do alegado homicida de São João da Pesqueira, conhecido como Manuel "Palito", prevista para esta terça-feira, foi novamente adiada. 

 A leitura do acórdão do processo do presumível homicida foi reagendada para quarta-feira, depois de um perito da Polícia Judiciária ter esta terça-feira confirmado a existência de quatro disparos, mais um do que admitia o acusado.

Manuel Baltazar, conhecido por "Palito” na terra onde mora - S. João da Pesqueira -, está acusado de ter disparado uma arma tipo caçadeira contra a filha e a ex-mulher (Sónia Baltazar e Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas) e duas familiares desta (a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que morreram).

A leitura do acórdão já esteve marcada duas vezes, mas uma "alteração não substancial" dos factos relacionada com o número de disparos levou o advogado de "Palito", Manuel Rodrigues, a pedir esclarecimentos.


Três cartuchos e uma bucha


Nesse âmbito, esta terça-feira à tarde foram ouvidos três peritos, um dos quais Luís Silva, elemento da PJ de Vila Real, que recolheu os vestígios dos crimes, ocorridos em Valongo dos Azeites, em abril de 2014.

Segundo Luís Silva, foram recolhidos "três cartuchos deflagrados, dois deles com bagos de zagalote e um com indicação de carga de bala", e ainda uma bucha de um tipo de bala que não corresponde a esses cartuchos.

Na sua opinião, essa bucha "seria de um quarto cartucho, correspondente a um quarto disparo", mas que não foi encontrado apesar de "esforços redobrados".

A defesa de Manuel Baltazar alega que foram três tiros. “Palito” já confessou os homicídios em tribunal, mas sempre negou a intenção de atirar sobre a filha.

Durante o julgamento, Manuel Rodrigues tentou demonstrar que "Palito" atingiu inadvertidamente a filha, com o disparo que se destinava à ex-sogra.

No final da sessão da sessão, quando questionado se tinha algo a acrescentar, Manuel Baltazar reiterou que "só foram três tiros".


Nas alegações complementares, a procuradora do Ministério Público disse ter reforçado a convicção que já tinha de que "os vestígios apontam claramente para a existência de dois disparos no exterior (onde foram atingidas Sónia e Maria Lina)".

No seu entender, "ele quis efetivamente matar ambas" e, por isso, voltou a pedir a pena máxima de 25 anos de prisão.

"Estamos perante duas balas bailadoras, que bailam ao sabor dos caprichos da acusação", ironizou o advogado Manuel Rodrigues.

No final da sessão, em declarações aos jornalistas, disse continuar a achar "impossível que aquelas duas balas tenham causado os vestígios e os danos físicos que causaram".

"Na verdade, há só um único tiro que atingiu a avó e a neta", frisou.

Tinha também sido chamado ao tribunal um segundo perito da PJ, para falar de balística, mas Manuel Rodrigues prescindiu dele, por ter dado conta de que "estava a remar contra a maré".

"A convicção do tribunal está mais do que constituída. Portanto, todo o esforço que façamos a partir daí já não é significativo", considerou.


Foi também ouvida a médica legista Teresa Ribeiro, que admitiu a possibilidade de Sónia Baltazar ter sido atingida de lado e não de costas.

O julgamento de Manuel Baltazar decorre no Tribunal de Viseu desde fevereiro. O arguido está em prisão preventiva depois de andar mais de um mês a monte. Manuel Baltazar está acusado de quatro crimes de homicídio qualificado (dois dos quais na forma tentada), um crime de detenção de arma proibida e outro de violação de proibições ou interdições.

A 17 de abril de 2014, Manuel “Palito” matou a ex-sogra e uma tia da mulher enquanto faziam doces da Páscoa.
Na casa de Valongo dos Azeites, em São João da Pesqueira, estavam ainda a ex-mulher e a filha de ambos.

No final de 2013, Palito tinha sido condenado por um crime de violência doméstica e estava proibido de contactar Maria Angelina Baltazar, a ex-mulher, de quem se devia manter afastado.