Um cidadão de nacionalidade holandesa, detido há um ano no aeroporto de Lisboa, foi acusado da alegada prática do crime de adesão e apoio a organizações terroristas e terrorismo internacional, e de atentado à segurança de transporte por ar, com vista ao terrorismo.

Numa informação disponibilizada na internet, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) adianta que, ao arguido, estão ainda imputados os crimes de introdução de lugar vedado ao público e de posse de arma branca.

Segundo o DCIAP, o arguido, de nacionalidade holandesa e com ascendência angolana, que se encontra detido preventivamente, tinha residência habitual na Holanda, onde se converteu ao Islão.

“Ali iniciou um processo de radicalização islamita, com ligações a movimentos ‘jihadistas’”, lê-se no ‘site’ do DCIAP, referindo que o homem “esteve na Síria em março de 2014 como voluntário, onde frequentou campos de treino militar, controlados pelos grupos radicais ‘Jabhat al Nusrah’ e ‘ISIS’”.

O DCIAP acrescenta que após ter recebido treino militar, o arguido regressou à Europa e, na Holanda, “assumiu ter participado em atividades dos grupos ‘jihadistas’, entre os quais a ‘Jabhat al Nusra’, que operam no teatro de guerra sírio/iraquiano”.

“Ali permanecera em campos de treino de combate, sendo que regressara com instruções para organizar/concretizar atentados terroristas, mormente em espaço europeu”, adianta o DCIAP.


De acordo com o DCIAP, a 2 de julho do ano passado, o arguido “saltou a vedação que delimita a zona da área reservada do aeroporto de Lisboa” e, cerca das 22:15 do dia seguinte, “saiu do edifício onde se havia escondido e dirigiu-se até à zona de embarque, onde se encontrava uma aeronave, com centenas de passageiros no seu interior, em início de manobras para preparar a descolagem do voo, com destino a Angola”.

“O arguido levava consigo uma faca de grandes dimensões, com a qual visava sabotar o avião”, sustenta o DCIAP, informando que “foram apreendidos documentos e colhidos depoimentos que indiciam as ligações do arguido e a sua adesão a grupos ‘jihadistas’”, cita a Lusa.