Os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) prometem «bloquear os processos de vistos dourados enquanto decorrem inquéritos na justiça», recusando trabalhar sob suspeição, noticia o «Diário de Notícias».

No entanto, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras garante que os vistos gold estão a ser processados com normalidade, indicando desconhecer qualquer iniciativa do sindicato dos inspetores para bloquear os processos.

O SEF emitiu uma nota em que «esclarece que os processos (…) vulgarmente conhecidos por vistos gold estão, à semelhança de todos os outros tramitados por este serviço, a ser processados com absoluta normalidade».

«O SEF desconhece qualquer iniciativa do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF, o qual, aliás, reuniu esta semana com o diretor nacional do SEF e, em tal reunião, não foi dado conhecimento da iniciativa a que se reporta a notícia publicada hoje pelo Diário de Notícias».


Numa nota enviada às redações, o sindicato recomenda a todos os associados que, até que termine o processo da «auditoria gold» se «abstenham de participar atos administrativos que não estejam estritamente relacionados com as suas funções policiais».

Os inspetores do SEF garantem que «cumprem escrupulosamente a lei em vigor» e recusam, por isso, trabalhar sob «constante pressão emanada de um manto de suspeição».

Lamentam igualmente que haja um inaceitável secretismo de uma auditoria supostamente feita aos vistos gold, «cuja publicidade reconduziria o assunto à sua real dimensão, acalmaria ânimos e atribuiria responsabilidades a quem as tivesse».

O «Diário de Notícias» refere ainda que em causa está uma ordem da ministra da Administração Interna para instaurar mais dois inquéritos aos vistos atribuídos. Para manter a pressão, a ministra determinou que a Inspeção-geral da Administração Interna deve controlar todas as recomendações da auditoria através de uma «averiguação sistemática», escreve o jornal.

A agência Lusa tentou obter um comentário junto de fonte oficial do Ministério da Administração Interna, que se escusou, para já, a fazê-lo.