Nas cerimónias que comemoram os 98 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria, não foram esquecidas as vítimas do Mediterrâneo. 

O bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, António Marto, lembrou a responsabilidade da Europa no acolhimento aos refugiados e no combate às injustiças sociais.

“Recordamos, também, no dia 08 passado, o fim da 2.ª Grande Guerra Mundial, há 70 anos. Esta recordação (…) coloca-nos perante nossas responsabilidades face aos desafios atuais, concretamente a Europa, a maneira como tratamos e acolhemos os refugiados que procuram proteção ou refúgio na Europa”, afirmou António Marto, como relata a Lusa.


Na conferência de imprensa que antecede o início da peregrinação internacional aniversária ao Santuário de Fátima, António Marto alertou ainda para a forma como a Europa combate “o problema da injustiça social e do emprego crescente” neste continente que “deixa as jovens gerações sem grandes perspetivas de futuro”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, o desafio passa por promover “uma cultura de paz, de reconciliação, de atenção ao outro e aos outros e de serviço mútuo, partindo da convicção de que cada vida humana é preciosa e única”.

Os presidentes dos parlamentos dos países da União para o Mediterrâneo (UpM), reunidos na segunda-feira, em Lisboa, decidiram recomendar à União Europeia (UE) a criação de mais canais humanitários e vistos para enfrentar chegadas de migrantes em situação de emergência.

A recomendação consta da declaração final da II Cimeira de Presidentes da Assembleia Parlamentar da UpM, dedicada à Imigração, Asilo e Direitos Humanos na Região Euro-Mediterrânica – que foi dirigida pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves –, e vai ser enviada às instituições da União Europeia e aos Chefes de Estado e de Governo da União para o Mediterrâneo.

Na declaração, os signatários também solicitam o “respeito pela dignidade humana” em termos de imigração, “mais condições de reinstalação” em todos os países da UE, aumento do apoio face aos países de origem e de trânsito para “enfrentar as causas profundas da migração”, e aumento da cooperação entre as diversas nações “para garantir o regresso rápido, em condições dignas” dos migrantes que não podem habitar legalmente nos países onde vivem atualmente.

Nas 11 recomendações elaboradas pelos responsáveis máximos dos parlamentos presentes na reunião de Lisboa reflete-se o apoio a diversas propostas que a Comissão Europeia está a delinear, incluindo o estabelecimento de quotas em cada país para o acolhimento de refugiados, ao fazerem apelo para “mais quotas para reinstalação em todos os países da UE”.

Calcula-se que mais de 1.700 imigrantes morreram no Mediterrâneo, em 2015, quando tentavam a travessia em direção à Europa.