A DECO, associação de defesa do consumidor, recebeu por dia centenas de pedidos de informação sobre a bactéria legionella, de todo o país, com diversas dúvidas, como sobre ser seguro tomar banho, beber água da torneira ou frequentar piscinas.

«Desde o início da semana, temos recebido centenas de pedidos de informação, por dia, vindos de todo o país», disse à agência Lusa fonte da DECO, acrescentando que hoje a afluência já tem sido menos intensa.

«São dúvidas sobre se posso tomar banho ou não, sobre a qualidade da água da rede pública, se tenho dores abdominais posso estar contaminado ou não, casos que reencaminhamos para a Linha Saúde 24, fundamental na triagem», especificou outra fonte, da DECO Proteste, o técnico Bruno Santos.


Para este especialista na área da qualidade do ar, «é fundamental que, tanto quanto possível, as pessoas tentem consultar as fontes oficiais de informação» sobre a forma como aparece a bactéria legionella, onde se aloja, como se propaga e o que pode fazer-se perante a sua presença.

A legionella, que provoca pneumonias graves e pode ser mortal, foi detetada na sexta-feira, no concelho de Vila Franca de Xira, tendo provocado cinco mortos - estando mais quatro a aguardar confirmação - e 302 casos de infeção.

A montante do problema de saúde, «há um problema de informação, detetamos em muitas das questões que nos chegam uma certa insegurança dada a profusão hoje de fontes de informação», explicou Bruno Santos.

Na atual situação de surto, «há muitas ideias preconcebidas, muitos mitos e há, por vezes, uma certa incapacidade em descodificar alguma informação que chega das fontes oficiais, embora o diretor geral da Saúde tenha sido, até agora, bastante claro nos apelos que fez e na informação que transmitiu, relativamente à forma de contágio persistem, por exemplo, ideias relacionadas com o consumo de água», referiu o técnico da DECO.

«Estas são algumas ideias erradas que temos tentado desconstruir», acrescentou, e, nesse sentido, a DECO disponibiliza no seu site informação simples sobre o tema.

Bruno Santos defendeu a necessidade de centralizar todos os dados relacionados com a bactéria legionella, tanto para os consumidores, como para instalações que devem ter ações preventivas para evitar a sua presença, e comunicá-las aos seus utilizadores.

Há dois anos, a DECO realizou um estudo nas piscinas, e propôs a elaboração pela Direção Geral da Saúde e pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude de um manual de boas práticas, «com obrigatoriedade de implementação», que orientasse os proprietários das instalações na aplicação das medidas preventivas de contaminação.

«É fundamental que haja claramente esta atribuição por lei de quem fiscaliza, como fiscaliza e com que periodicidade», realçou Bruno Santos, recordando que, com a nova legislação, «quebrou-se a periodicidade da análise do ar interior e, portanto, acontece que esta monitorização não é feita com uma periodicidade aceitável, exigível».