A peregrinação do Migrante e do Refugiado que terminou este sábado em Fátima, realizou-se debaixo de sol forte e muito calor enquanto os incêndios florestais dos últimos dias foram uma preocupação manifestada nas intervenções dos responsáveis eclesiásticos.

O bispo de Leiria/Fátima, António Marto, apelou à responsabilidade dos políticos para uma "política eficaz" de prevenção dos incêndios florestais, defendendo que a prevenção se deve estender aos cidadãos e sociedade civil.

Faço "um apelo à responsabilidade dos políticos em ordem a uma política eficaz de prevenção, que não fique só nas palavras e nas boas intenções", disse António Marto, intervindo na conferência de imprensa do início da peregrinação.

A propósito do que considerou ser o "estado de calamidade e emergência nacional provocado pela série de incêndios devastadores", o bispo de Leiria/Fátima disse que a revitalização da agricultura, o cultivo e os incentivos ao regresso às terras deviam ser "uma das prioridades da política nacional".

Na missa de hoje de encerramento da peregrinação, o arcebispo italiano Angelo Vicenzo Zani afirmou que "o mundo sofre novos processos de mudança que questionam a religião e o papel da Igreja" e enfatizou que a mensagem de Fátima divulgada pelos três pastorinhos "continua ainda mais atual".

Dirigindo-se aos fiéis, o arcebispo, secretário da Congregação para a Educação Católica da Santa Sé, disse que o mundo vive "num clima de relativismo, de positivismo e de neopaganismo em que o lugar de Deus é ocupado por novos ídolos e onde o homem parece conduzir a própria existência só no horizonte temporal e material", e enfatizou que "a mensagem que a Virgem Maria deu aos pastorinhos de Fátima, no seu apelo à conversação, à oração e à penitência, está em sintonia com a palavra de Deus " e, divulgada há quase um século, em 1917, "continua ainda mais atual".

Tal como tinha afirmado na cerimónia de acolhimento aos peregrinos, Vincenzo Zani, voltou hoje a saudar "os emigrantes portugueses dispersos pelo mundo", "os trabalhadores imigrantes em Portugal" e "os refugiados à procura de paz e liberdade".

Na sexta-feira, dia de abertura da peregrinação, o recinto do Santuário apresentou-se com pouca gente, mercê do sol forte e das temperaturas elevadas que se fizeram sentir. O movimento de peregrinos aumentou a partir da noite e manhã de hoje e as autoridades esperam que a deslocação de peregrinos a Fátima, nomeadamente emigrantes de férias em Portugal, se estenda até ao feriado de segunda-feira.

Está tudo calmo, sereno. Esperamos que a afluência se estenda por estes três dias e não esteja só concentrada este sábado", disse, ao final da manhã à agência Lusa o major Pedro Reis, relações públicas da GNR de Fátima.