O viaduto de Alcântara, no qual a circulação se encontra encerrada num sentido depois de um desvio num dos pilares, terá pórticos para evitar a circulação de veículos pesados, anunciou esta quinta-feira a Câmara de Lisboa.

A 22 de março registou-se um desvio num dos pilares do Viaduto de Alcântara - que liga a Avenida de Ceuta às Docas, passando por cima das avenidas da Índia e Brasília -, que provocou condicionamentos de trânsito automóvel e ferroviário no local.

A Câmara de Lisboa aponta uma "travagem de um veículo" como a causa provável para o incidente.

Embora na Avenida da Índia a circulação rodoviária e ferroviária já ocorra com normalidade debaixo do viaduto, o tabuleiro continua encerrado no sentido Avenida de Ceuta - porto de Lisboa.

Numa conferência de imprensa que decorreu hoje nos Paços do Concelho, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, informou que "vão ser instalados dois pórticos no sentido de garantir a circulação apenas de ligeiros, e não de pesados" no tabuleiro do viaduto.

Ou seja, "veículos com mais de 2,25 metros não poderão circular" em cima do viaduto de Alcântara, explicou.

Desde 2005 que está proibida a circulação de veículos pesados de carga em cima do tabuleiro, mas circulam", apontou Manuel Salgado.

Referindo que "acidentes destes podem sempre surgir", o autarca do executivo municipal de maioria socialista salientou que "as regras de trânsito são para ser cumpridas", e que esta medida serve para o município "ter a certeza que a situação não se repete".

Questionado quanto à reabertura total da circulação do viaduto, Manuel Salgado afirmou que "o mais tardar em meados de maio o viaduto poderá abrir".

Após uma primeira consolidação do pilar afetado, "foi decidido elaborar um projeto de consolidação com caráter definitivo, que tivesse em conta novas deficiências", identificadas através de "uma nova inspeção especial a todas as peças do viaduto".

Apontando que esta "vistoria especial" já aconteceu, o vereador do executivo municipal advogou que "vai ser dado, de imediato, início a trabalhos complementares de manutenção que não implicam grandes alterações".

O projeto para esta reabilitação "já foi recebido ontem [quarta-feira] na Câmara", acrescentou.

Quanto aos trabalhos já realizados, Manuel Salgado apontou que rondam os "300 mil euros".

Questionado sobre o facto de este viaduto ser uma estrutura provisória com mais de 40 anos, o vereador afirmou que "todos os relatórios indiciam o seu envelhecimento progressivo", estando "a ser avaliado um novo viaduto".

Esta estrutura, que nasceu como uma solução provisória no início da década de 70, foi reabilitada em 2005, quando Pedro Santana Lopes (PSD) era presidente da Câmara Municipal.

Os trabalhos, orçados em 1,5 milhões de euros, incluíram a colocação de piso antiderrapante, o reforço das estruturas com chapas metálicas e a beneficiação geral da infraestrutura.

A intervenção foi realizada na sequência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), segundo o qual o viaduto "não oferecia segurança para a circulação rodoviária de pesados".