O Tribunal da Relação do Porto decidiu esta sexta-feira extraditar o suposto terrorista espanhol, detido na quarta-feira, no aeroporto Sá Carneiro, dando assim cumprimento ao mandado internacional emitido pelas autoridades espanholas.

Hector José Naya Gil, 33 anos, não se opôs à decisão, adiantou, no final da audiência o advogado do galego, Alfredo Santos, que explicou que o espanhol uma vez extraditado para Espanha será entregue às autoridades competentes e aguardará detido pela decisão do recurso da sentença da Audiência Nacional, que o condenou a 11 anos de prisão (cinco anos por «participação em organização terrorista» e seis anos por «colocação de artefactos explosivos com fins terroristas»).

Naya Gil, que tentava embarcar rumo a Caracas, Venezuela, para pedir asilo político naquele país, foi apanhado na posse de um passaporte venezuelano falso, tendo sido condenado pelo Tribunal da Maia a um ano de prisão, com pena suspensa por igual período, na quinta-feira, pelo crime de falsificação de documento, crime este que o galego confessou.

«Ficou decidido entregar a Espanha para cumprimento do mandato depois de verificada a legalidade do mandato de captura europeu», explicou Alfredo Santos.


Segundo o advogado, Hector Gil «aceitou voluntariamente» a decisão da Relação do Porto.

«Não havia grandes fundamentos para se opôr, o interesse dele [Hector Gil] também não era ficar cá, é-lhe indiferente ficar cá ou estar lá, se calhar prefere estar lá», afirmou o casuístico à Lusa.

Alfredo Santos explicou que, uma vez em Espanha, o galego «vai ser entregue às autoridades espanholas e será detido» isto porque, explanou, «ele desrespeitou uma medida de coação a que estava sujeito em Espanha - não podia sair do país e saiu».

No entanto, referiu o advogado, Hector Gil não será detido para cumprir os 11 anos de prisão a que foi condenado, uma vez que «está pendente recurso, segundo aquilo que diz o arguido, e foi verificado hoje».

Até à extradição, que, explicou o advogado, «deverá acontecer dentro de 10 dias, pelo que diz a lei», o galego ficará a cargo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Em 2014, o arguido foi condenado em Espanha a 11 anos de prisão por detonar duas bombas junto de antenas de radiotelevisão, em Monte Sampaio de Vigo (Pontevedra), em agosto de 2012, e colocar outras duas (bombas caseiras com quase 1,5 quilos de pólvora e recipientes de gasolina) que não rebentaram.

A detonação dos dois artefactos apenas causou estragos materiais, mas a Audiência Nacional considerou, na sentença, que o rebentamento das outras duas teria «ocasionado lesões graves, incluindo a morte, a qualquer pessoa que se encontrasse nas suas imediações».