O investigador Henrique Leitão é o vencedor da 28.ª edição do Prémio Pessoa, com um valor monetário de 60 mil euros. O anúncio foi feito esta sexta-feira, no Palácio de Seteais, em Sintra.
 
Nascido em Lisboa, em 1964, Henrique José Sampaio Soares de Sousa Leitão é atualmente Investigador Principal no Centro Interuniversitário da História das Ciências e Tecnologia (CIUHCT), e docente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É membro da Academia das Ciências e membro efetivo da Academia Internacional de História das Ciências.
 

Henrique Leitão «combina a sólida formação científica com um conhecimento humanista, que o torna num verdadeiro cultor da interdisciplinaridade», salientou o presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no anúncio do prémio.

 
Ainda sobre o trabalho de Henrique Leitão, foi destacada a projeção nacional e internacional da Exposição «360º Ciência Descoberta» (2013), «dando a conhecer ao grande público a importância crítica que a Península Ibérica teve para o desenvolvimento científico e o progresso civilizacional».
 
Henrique Leitão manifestou total surpresa com a distinção, que considera vir premiar o «importante trabalho que se tem feito sobre a história da ciência em Portugal».
 

«É um prémio que premeia um trabalho muito importante que se tem feito sobre a história da ciência em Portugal ao nível académico mais elevado. Estou muito contente que tenha tido esse reconhecimento», disse Henrique Leitão à agência Lusa.

 
O investigador espera ainda que o prémio «sirva para iluminar o facto de haver uma história portuguesa científica interessante a contar», um campo que ainda precisa de ser mais estudado, até porque considera que há uma imagem demasiado negativa da história científica em Portugal.
 
Henrique Leitão foi um dos fundadores do Centro de História da Ciência da Universidade de Lisboa, em 2003, e coordenou a comissão científica encarregada da publicação das obras de Pedro Nunes, pela Academia das Ciências de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian. 

O júri do Prémio Pessoa 2014, presidido por Francisco Pinto Balsemão, integra Álvaro Nascimento, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Maria de Sousa, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.
 

«É um prémio concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país», lê-se no site da organização.

 
Desde 1987 que é assim. Os jurados da iniciativa conjunta do «Expresso» e da Caixa Geral de Depósitos reúnem-se numa sala no Palácio de Seteais e revelam o vencedor à hora marcada. Antes disso não é possível saber quem será a pessoa que irá receber o Prémio, que normalmente é informada na noite anterior ao anúncio. Até hoje nunca houve uma fuga de informação, até porque os jurados fazem um voto de silêncio.
 
O Prémio pretende ir contra a tradição do reconhecimento da importância de algumas obras só ser feita posteriormente, como foi o caso de Fernando Pessoa. E a ambiguidade entre a figura do poeta e a personalidade portuguesa foi criada intencionalmente.

Diogo Lucena, membro do júri, destacou que Henrique Leitão conseguiu «reconstruir uma escola científica» na história da ciência «que tinha quase desaparecido em Portugal».

Em declarações aos jornalistas, Diogo Lucena descreveu o laureado como uma «pessoa muito discreta» e com uma atitude quase renascentista: «Consegue, de uma forma muito rara hoje em dia, ter uma formação muito sólida quer do lado científico quer do lado humanista».

Especialista na obra do matemático português Pedro Nunes (1502-1578), Henrique Leitão «fez escola» em Portugal no domínio da história da ciência ibérica, em particular a ciência portuguesa dos séculos XVI e XVII, disse Diogo Lucena.

«Tem uma equipa multinacional em Portugal a trabalhar sobre ciência portuguesa do século XVII, de grande qualidade e com grande reconhecimento internacional», disse o júri, referindo-se ao Centro Interuniversitário da História das Ciências e da Tecnologia.
 
Em 2013, o prémio foi atribuído à investigadora Maria Manuel Mota pelos estudos desenvolvidos sobre a malária.