O número de doentes portadores de diabetes internados nos Hospitais da Universidade de Coimbra aumentaram 40 por cento entre 2007 e 2013, representando o ano passado 11% de todos os doentes em internamento.

Os doentes diabéticos chegam a representar 25% dos internamentos «na unidade de cuidados de AVC [Acidente Vascular Cerebral], nos cuidados intensivos cardíacos e na unidade de urologia e transplantação renal», sublinhou Margarida Bastos, coordenadora do Programa Nacional de Diabetes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Apesar desses dados, a taxa de mortalidade intra-hospitalar de doentes diabéticos no CHUC situa-se nos «7,3%», contrastando com «24% da média nacional», realçou.

Para melhorar os cuidados a portadores de diabetes e para reduzir os internamentos, o CHUC criou uma Escola da Diabetes, que arranca a 28 de novembro, pretendendo dar formação «pós-graduada a médicos, enfermeiros, psicólogos» e outros profissionais, avançou Francisco Carrilho, diretor do serviço de endocrinologia do hospital, durante uma conferência de imprensa para assinalar o Dia Mundial da Diabetes, que se comemora a 14 de novembro.

Também no primeiro trimestre de 2015 será constituída uma «unidade de pé diabético», que é «fundamental para impedir os internamentos», frisou Francisco Carrilho, referindo que a média de internamento para o tratamento desta doença é de 19 dias.

O internamento é longo para «se evitar a amputação», podendo-se gastar «menos dinheiro, caso se atue mais na prevenção», disse.

O pé diabético acaba por influenciar a média de internamento dos doentes diabéticos no CHUC, situada nos 9,9 dias, representando mais 3 dias de internamento que a média geral deste hospital.

Anualmente, o CHUC realiza «três mil consultas de diabete geral, 400 consultas para doentes com bombas de infusão de insulina, 862 consultas de pé diabético e 2.600 consultas de endocrinologia obstétrica», registou Francisco Carrilho salientando que tudo é feito «com uma equipa com 12 elementos».

O presidente do conselho de administração do CHUC recordou o «enorme esforço financeiro» que a doença representa, sendo que para o centro hospitalar, «só o custo de antidiabéticos orais e insulinas ultrapassa 2% da despesa com medicamentos».

«A promoção de estilos de vida saudáveis e correções alimentares poderão evitar o alastramento desta patologia e por outro lado conter a sua evolução, nos casos de doença instalada», notou.

Segundo um relatório do Observatório Nacional da Diabetes, os custos com a doença representaram em 2013 cerca de 1.500 milhões de euros, correspondendo a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a 10% das despesas em saúde.

A prevalência da diabetes em Portugal voltou a aumentar em 2013, com 160 novos casos a surgirem por dia e com a população diabética a representar 25% da mortalidade nos hospitais, revelou o mesmo relatório.