Polícia de Segurança Pública realizou buscas, esta quarta-feira, no IMT, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), na Polícia Municipal de Lisboa e na própria PSP, na zona da grande Lisboa, confirmou a TVI24 junto de fonte oficial.

Cerca de 170 agentes da autoridade, acompanhados por magistrados, deram cumprimento a 31 mandados de busca a residências, organismos e viaturas. Entre estes havia também dois mandados de detenção fora de flagrante delito.

A investigação, realizada pelo Divisão de Investigação Criminal do Comando de Lisboa e dirigida pela 9ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), decorre há cerca de ano e meio e foi batizada de "Operação 2ª Via".

Das diligências que decorreram esta quarta-feira três pessoas já foram detidas, todas civis, sendo que uma delas é funcionário da PSP.

Em causa estão vários crimes, como "associação criminosa, corrupção e falsificação de documentos", avançou à TVI24 o Comissário Sérgio Soares. Mas há mais: "denegação de justiça e prevaricação, falsidade informática e violação de dever".

Os  detidos são suspeitos de envolvimento num esquema que "limpava" os cadastros de condutores. A TVI24 sabe que um deles é um técnico da PSP. Informados de que iriam ficar inibidos de conduzir, os condutores pediam uma segunda via da carta ou uma guia de substituição com falsos pretextos. Dessa forma, ao serem fiscalizados exibiam esses documentos e continuavam a conduzir apesar de estarem inibidos de o fazer.

As buscas decorreram nas instalações de Lisboa da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, Departamento de Gestão Financeira da PSP e Polícia Municipal de Lisboa.

Segundo escreve a agência Lusa, as instalações do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) na avenida Elias Garcia em Lisboa chegaram a estar encerradas ao público.

Escritório de advogados e instalações do ACP também foram alvo de buscas

Entretanto a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) fez saber, através de um comunicado, que também um escritório de advogados e instalações do Automóvel Clube de Portugal (ACP) foram alvo de buscas.

A PGDL acrescenta que elementos da divisão de trânsito da Polícia de Segurança Pública (PSP), funcionários e juristas da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), ACP e advogados dedicavam-se, pelo menos desde 2015, a identificar condutores que tinham sido alvo de contraordenações através do acesso indevido a bases de dados informáticos relacionados com a gestão de autos – SCOR e SIGA.

A troco de vantagens pecuniárias, eram obtidas decisões favoráveis aos condutores alvo de contraordenações de modo a eliminarem os dados do seu Registo Nacional de Condutores (RNC) ou a conseguirem segundas vias de cartas de condução.

A PGDL refere ainda que um dos três detidos está indiciado pelo crime de detenção de arma proibida.