O presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) afirmou esta sexta-feira que a Força Aérea está preparada para receber meios e reassumir o combate aos incêndios, considerando que uma decisão política nesse sentido pouparia dinheiro ao Estado. António Mota realçou que a FA “foi completamente afastada do combate aos incêndios há 20 anos”, o que “coincidiu" com o estabelecimento de uma série de protocolos com empresas privadas.

“Se houver uma decisão do Governo a dizer que a partir de hoje a Força Aérea [FA] combate os incêndios, obviamente que não combate, porque há 20 anos desativaram os meios para utilizar nas aeronaves que permitiam combater os incêndios. Obviamente é preciso fazer um investimento e um investimento significativo”, esclareceu António Mota.

No entanto, após esse investimento, o dirigente considerou que o combate pela FA de incêndios até ficaria mais barato ao Estado, porque os pilotos já são pagos e estão ao serviço do Estado o ano inteiro, além de que a FA já tem estruturas pelo país, como aeródromos e pistas, assim como equipas de mecânicos e de manutenção.

António Mota realçou que a FA “foi completamente afastada do combate aos incêndios há 20 anos”, o que “coincidiu - e cada um tira as ilações que entender – com o estabelecimento de uma série de protocolos com empresas privadas, que assim têm o monopólio do combate aos incêndios em Portugal”.

“Só se compreende que tenham retirado à FA por interesses financeiros e por interesses de negociata. Isto tem de ser dito e tem de ser dito desta maneira”, considerou.

O dirigente destacou que um relatório conhecido na quinta-feira, mas pedido ainda pelo Governo de Passos Coelho, refere que seria necessária uma verba de cerca de 60 milhões de euros em dois anos para dotar novamente a FA com os meios necessários para combate aos incêndios, tal como acontece na maior parte dos países europeus.

“Eu também ouvi o presidente da Madeira a dizer que só na Madeira os prejuízos dos incêndios em dois dias ascenderam a 55 milhões. Parece-nos evidente de mais de que é à FA que têm de ser atribuídos os meios”, considerou, salientando que se gasta uma média de mil milhões de euros com os fogos todos os anos e que uma hora de voo de um avião ‘Kamov’ no combate aos incêndios custa cerca de 35 mil euros.

António Mota destacou que seria necessária alguma formação específica para os pilotos da FA combaterem incêndios, mas de resto estão “preparadíssimos”.

“Naturalmente tem que haver um treino específico. Não é o mesmo transportar pessoal para a Madeira que andar por cima de um incêndio a lançar calda retardante. Agora, alguns dos meus camaradas militares pilotos da FA são exatamente hoje os pilotos que andam nos aviões a combater os incêndios. Porque são os melhores pilotos portugueses, isso não há duvida nenhuma, e as empresas privadas sabem disso. Não estou a dizer que há colegas aqui a fugir ao serviço, mas há alguns que aproveitam as épocas de férias para andar a combater os incêndios ao serviço das empresas. Se estão preparados? Estão preparadíssimos”, disse.

Na internet decorre uma petição que pede o regresso da FA ao combate aos incêndios e que hoje tem mais de 28.100 assinaturas, a que a AOFA diz ser alheia.

Porém, a associação diz compreender, porque, segundo António Mota, “é clarinho que assim deve ser”, como revelam “as milhares de mensagens de cidadãos” que tem recebido na página na internet nos últimos dias.