«As pessoas que escolhem a homeopatia põem a saúde em risco ao rejeitar ou retardar os tratamentos». Esta é a conclusão de um estudo lançado, na semana passada, na Austrália. Após a revisão dos estudos existentes, um grupo de investigação médica garante que a homeopatia não é um tratamento eficaz para todas as condições clínicas.

Os homeopatas acreditam que a administração de doses de compostos tidos como «causadores» da doença em pessoas saudáveis, quando administrados em pacientes com sintomas, fazem com que de forma natural o sistema imunitário reaja e volte ao seu estado «normal».

O Conselho de Pesquisa Médica (NHMRC) analisou por completo, pela primeira vez, 225 artigos de investigação e garante no seu relatório que a homeopatia é ineficaz e que pode atrasar o tratamento médico.

«Com base na avaliação dos resultados de eficácia, NHMRC concluiu que não existem condições de saúde que evidenciem a eficácia da homeopatia. As pessoas que escolhem a homeopatia podem colocar a própria saúde em risco se rejeitarem os tratamentos sobre os quais existe uma prova evidente de segurança e eficácia», conclui o relatório.


Paul Glasziou, professor e membro da «NHMRC Homeopathy Working Committee», espera que as conclusões levem as seguradoras de saúde privadas a deixar de oferecer descontos em tratamentos homeopáticos e a forçar os farmacêuticos a reconsiderar esse «tratamento».

«Existe um conjunto de pessoas que não irá responder de forma positiva a este relatório, justificando que é uma conspiração. Contudo, esperamos que haja um monte de pessoas razoáveis que reconsidere se deve vender e usar essas substâncias», afirma Glasziou.


O relatório acrescenta ainda que alguns estudos anteriores mostraram de facto a eficácia da homeopatia, no entanto a qualidade dos mesmos é duvidosa devido às grandes falhas de conceção e ao insuficiente número de participantes para apoiar a ideia de que a homeopatia funcionou melhor do que qualquer outro tratamento.


Ken Harvey, um especialista em política medicinal e defensor dos direitos dos consumidores ao nivel dos planos de saúde, refere que as faculdades privadas cobram milhares de dólares por cursos de homeopatia e espera que agora os estudantes reconsiderem um melhor uso desse dinheiro.

«Eu não tenho problemas com as faculdades particulares que recorrem a estes cursos contemplados com bolas de cristal, como a iridologia e a homeopatia e se as pessoas são loucas o suficiente para pagar por isso, é uma decisão delas. Esses cursos são aprovados por um organismo da comunidade médica e isso é uma história complicada e um problema bem real», explica Harvey.



Em resposta, a Associação Homeopática Australiana (AHA) enviou m comunicado alegando que cerca de um milhão de australianos recorre à homeopatia.

«A AHA recomenda que o NHMRC adote uma abordagem mais abrangente na análise de eficácia da homeopatia e considere uma avaliação económica em grande escala dos benefícios de um sistema mais integrado e que respeite e defenda a escolha do paciente quanto a prestação de cuidados de saúde», aconselha a AHA.


A NHMRC garante que não existem estimativas quanto ao uso corrente de medicamentos homeopáticos por parte dos australianos, porém a OMS previu em 2009 que foram gastos na indústria homeopática mais de nove milhões de euros.