A possibilidade de ocorrência de um tsunami nos Açores, após o registo de mais de 100 sismos nas últimas horas, “é real”, mas apenas “se a situação se agravar fortemente”.

“A existência de tsunamis associados a vulcões não tem grande tradição na nossa região, mas é sempre possível que aconteça”, comentou à TVI Miguel Miranda, sismólogo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

O especialista comentava as recomendações do Serviço Regional de Proteção Civil dos Açores, que pediu à população que se afaste das praias porque pode ocorrer uma onda gigante, além de ligar o rádio e ficar atento às recomendações difundidas.

Já o coordenador do CIVISA, João Luís Gaspar, também ouvido pela TVI24afastou completamente a hipótese de tsunami.

Segundo Miguel Miranda, o maior sismo registado até ao momento foi de 3,6 na escala de Richter, tendo sido “muito sentido pela população”.

“Se a profundidade diminuir e a magnitude aumentar, obviamente que a situação pode agravar-se nas próximas horas.”

 

O sismólogo referiu que a atividade sísmica nesta região é "esperada", mas que a quantidade de registos tornou a situação "irregular", aconselhando a povoação a estar "particularmente alerta" e a "seguir estritamente as indicações da Proteção Civil regional".

"Durante uma crise sísmica é necessário ter maior alerta do que o normal", sublinhou.

Quanto ao número de sismos, este ainda "será revisto" nas próximas horas, sabendo-se desde já que abrangem uma gama de magnitudes "muito grande".

"Trata-se de uma das maiores zonas de risco sísmico nos Açores e toda a atenção é necessária", concluiu.