A diretora regional da Cultura do Centro afirmou esta sexta-feira que as cheias ocorridas a 12 de janeiro em Coimbra causaram danos no valor de 450 mil a 600 mil euros no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, apontando responsabilidades à EDP.

Os danos provocados pelas cheias no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em que o nível da água chegou a atingir os cinco metros, "estimam-se entre 450 mil a 600 mil euros", disse Celeste Amaro, durante uma conferência de imprensa no monumento nacional, que só no último fim de semana "ficou a seco".

A líder da Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC) atribui a responsabilidade das cheias à EDP, concessionária da Barragem da Aguieira, considerando que sem as "descargas abruptas" que ocorreram a inundação "não aconteceria".

Celeste Amaro prevê que, dentro de "um mês a mês e meio", seja possível abrir o monumento nacional ao público, após terminarem os trabalhos de limpeza, referindo que os "trabalhos de restauro e de conservação serão já executados com o mosteiro aberto".

Estes trabalhos de restauro, informou, poderão ser comparticipados "por fundos comunitários".

Segundo a diretora regional, há "danos irreversíveis", apontando para argamassas e rebocos antigos "que vão cair", desenhos presentes numa das salas do monumento "que, possivelmente, serão irrecuperáveis", a zona onde arqueólogos fazem escavações "está danificada" e a chamada "cozinha" do Mosteiro está "completamente escavada [pela água] e tem de ser renovada".

O monumento, reaberto em 2009, após uma intervenção que custou cerca de 16 milhões de euros (seis milhões dos quais no sistema de contenção de águas), nunca tinha "sido inundado" desde a reabertura, sublinhou.

Celeste Amaro acrescentou que já pediu uma reunião com a administração da EDP, mas ainda está "à espera de uma resposta".

De acordo com a responsável, a água entrou pela zona de estacionamento, rebentando com a porta de entrada, que nunca foi pensada "nem desenhada" para conter as águas.

Apesar de o sistema instalado no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha ser "um bom sistema", terá de se repensar "o que fazer para que o mosteiro não volte a ser alagado".

O espaço à volta do mosteiro poderá ser reequacionado, nomeadamente a instalação de válvulas retrativas nos furos das águas pluviais, para "obrigar a que a água, quando chega a determinado nível, seja impossível de sair".

Questionada sobre a possibilidade de uma ação judicial contra a EDP, Celeste Amaro afirmou que prefere optar pela via do diálogo.

A EDP, que "tem uma fundação" com trabalho na área da cultura - Fundação EDP -, "não estará interessada" em estar associada a danos provocados num mosteiro que é monumento classificado, realçou.

A agência Lusa obter uma reação da EDP, sem sucesso até ao momento.