O grupo "Não te refugies", que em novembro lançou uma campanha para compra de tendas com o objetivo de "suavizar o percurso da população refugiada", enviou para a Sérvia 11 toneladas de "ajudas", contaram hoje fontes do movimento.

Ao todo, foram 62 as tendas de campismo enviadas, 65 sacos cama e 503 cobertores, mas distribuídos em dois transportes foram também enviados 3.451 pares de calças, 8.472 camisolas, 580 pares de sapatos e 4.725 casacos.

Inicialmente o grupo "Não te Refugies" - que integra portugueses e sérvios, tendo começado em Valongo mas "alargado espontaneamente", como referiram, "ao Grande Porto e pelo país fora" - lançou uma campanha de angariação de fundos destinada à compra de tendas com as características necessárias para fazer face às condições climatéricas da Sérvia.

Pediam 2.000 euros para "pelo menos 35 tendas". Conseguiram 2.911 euros, sendo que a verba angariada serviu também para custear o transporte dos donativos que foram chegando ao Porto para serem alvo de uma triagem na qual participaram dezenas de voluntários.

"Excedeu as nossas expectativas. Aliás, não tínhamos expectativas. Na minha cabeça, quando começamos, estava a imagem de uma caixa, entretanto foi necessário arranjar um camião", disse à Lusa Jorge Sá do "Não te refugies".

O movimento contou com a colaboração de corpos de bombeiros de Valongo, Ermesinde, Gondomar, Porto e Vila Nova de Gaia, e gerou "grupos satélite" como um de Arcos de Valdevez que organizou eventos para angariar fundos e donativos para entregar ao "Não te refugies".

A ideia de um enfermeiro, de uma designer e de uma médica ganhou "uma escala enorme", contou Barbara Seabra realçando "o envolvimento de escolas" como as de Vallis Longus ou de Campo, concelho de Valongo, onde por iniciativa dos professores o tema dos refugiados foi explicado.

O mesmo aconteceu numa escola de Amares, Braga, que abraçou as mensagens deste movimento para discutir, contou Jorge Sá, "o preconceito, a diferença".

"Além do envio de ajudas, a componente de sensibilização é muito importante. A ideia de que são pessoas a precisar de ajuda e não uma ameaça foi sendo transmitida. Missão cumprida. Mas isto não chega", referiram os responsáveis.

Lígia Pinto explicou que agora que o período de recolha de "ajudas" terminou o grupo está a encaminhar quem o procura, por exemplo nas redes sociais, para outras campanhas relacionadas com a população refugiada que todos os dias tem chegado à Europa.

"Mantém-se uma espécie de cadeia de solidariedade, um trabalho em rede", referiu, recordando que por exemplo roupa de verão, bem como outros itens que "devido às regras apertadas" não podiam ser enviados para a Cruz Vermelha da Sérvia foram entregues a instituições locais.

Também sobre este tema realiza-se terça-feira, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, pelas 18:30 com entrada livre, o debate "?Nós' e ?Os Outros': a Cultura na crise dos refugiados", organizado pela Acesso Cultura, associação que se dedica à análise das acessibilidades em espaços culturais.

O convite para o evento aponta a presença de Ângelo Merayo, do Conselho Português para os Refugiados, de Jorge Oliveira, do Espaço T - Associação para Apoio à Integração Social e Comunitária, de Luís Monteiro, deputado na Assembleia da República e de Maria João Vasconcelos, do Museu Nacional de Soares dos Reis.

"A crise dos refugiados, os seus contornos, as questões que levanta para a sociedade são assuntos que dizem respeito ao setor cultural ou estão fora do seu âmbito de ação e das suas prioridades?" - é uma das perguntas que a organização quer debater.