Os Centros Hospitalares de São João (Porto), o Universitário de Coimbra e o de Lisboa Norte são os primeiros três classificados no ranking do internamento nos hospitais públicos, coordenado por um investigador da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Os resultados definitivos desta avaliação do desempenho dos hospitais públicos (internamento) em Portugal continental, em 2013, realizada por especialistas da ENSP, identificaram as dez melhores instituições na resposta que deram a 17 conjuntos de doenças.

Uma versão provisória deste ranking tinha sido publicada em junho do ano passado. O documento definitivo, que será esta semana divulgado, apresenta várias diferenças em relação ao documento preliminar.

Depois dos centros hospitalares de São João (Porto), do Universitário de Coimbra e do de Lisboa Norte, que ocupam o primeiro, segundo e terceiro lugar no ranking, respetivamente, surge nesta avaliação ao desempenho global o Hospital Beatriz Ângelo (Loures), na quarta posição.

Seguem-se os centros hospitalares do Porto e de Lisboa Central, a Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, os centros hospitalares de Tondela-Viseu, do Tâmega e Sousa e o Hospital de Braga.

Este ranking resulta da avaliação dos episódios de internamento para as doenças do aparelho ocular, cardíacas e vasculares, digestivas, endócrinas e metabólicas, ginecológicas e obstétricas, infeciosas, músculo-esqueléticas, neoplásicas, neurológicas, órgãos genitais masculinos, dos ouvidos, nariz e garganta, pediátricas, da pele e tecido celular subcutâneo, respiratórias, dos rins e aparelho urinário, do sangue e órgãos linfáticos e hematopoéticos, traumatismos e lesões acidentais.

O Centro Hospitalar de Setúbal foi o melhor classificado para as doenças do aparelho ocular, enquanto o de São João (Porto) lidera para as doenças cardíacas e vasculares e para as doenças digestivas.

Nas doenças endócrinas e metabólicas, o primeiro lugar é ocupado pelo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que também lidera a avaliação para as doenças ginecológicas e obstétricas. O Centro Hospital de São João está igualmente em primeiro lugar para as doenças infeciosas.

O Centro Hospitalar de Tondela e Viseu é o primeiro classificado para as doenças músculo-esqueléticas.

Nas doenças neoplásicas, o melhor classificado foi o Centro Hospitalar de São João, seguido do IPO do Porto, os centros hospitalares de Coimbra e de Lisboa Central e, em quinto lugar, o IPO de Lisboa.

O Centro Hospitalar de São João lidera ainda no internamento para as doenças neurológicas, bem como para as doenças dos órgãos genitais masculinos.

O IPO de Coimbra está em primeiro lugar para as doenças dos ouvidos, nariz e garganta. Nas doenças pediátricas lidera o Hospital Beatriz Ângelo (Loures), com o Centro Hospital de São João a aparecer em primeiro lugar para as doenças da pele e do tecido celular subcutâneo e as patologias respiratórias.

Para as doenças dos rins e do aparelho urinário, o primeiro lugar é ocupado pelo Centro Hospitalar de Lisboa Norte, enquanto o de São João lidera para as doenças do sangue e dos órgãos linfáticos e hematopoéticos.

O Centro Hospitalar de Tondela Viseu está em primeiro para os traumatismos e lesões acidentais.

Hospitais nem sempre estão bem classificados na mortalidade

Os dez melhores hospitais nem sempre apresentam bons resultados em indicadores como a mortalidade, complicações e readmissões.

O Centro Hospitalar de São João (Porto) lidera esta tabela ao nível do desempenho global e da mortalidade, mas ao nível das complicações nem sequer se encontra nas dez primeiras posições.

No segundo lugar do ranking consta o Centro Hospitalar de Coimbra, que ocupa a terceira posição na mortalidade, o primeiro lugar nas complicações, mas está fora dos dez primeiros lugares para as readmissões.

O Centro Hospitalar de Lisboa Norte, na terceira posição, tem o segundo lugar ao nível da mortalidade, mas não consta dos dez primeiros nas complicações e readmissões.

Na quarta posição global, o Hospital Beatriz Ângelo (Loures) obtém o mesmo lugar na mortalidade, mas nas complicações e readmissões está fora dos dez melhores.

O Centro Hospitalar do Porto, no quinto lugar, também está nesta posição ao nível da mortalidade, obtém a oitava posição nas readmissões e sem classificação nos dez primeiros lugares ao nível das complicações.

Classificado no sexto lugar, o Centro Hospitalar de Lisboa Central está fora dos dez primeiros para a mortalidade e complicações, obtendo a quinta posição nas readmissões.

Os restantes classificados - Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, os centros hospitalares de Tondela-Viseu, de Tâmega-Sousa e o Hospital de Braga – não constam dos dez primeiros lugares nos indicadores mortalidade, complicações e readmissões.

Para a elaboração desta tabela foram considerados os hospitais responsáveis pelo tratamento de 99% do total de doentes internados, não fazendo dela parte os hospitais com um volume de produção reduzido.

O documento é subscrito por Carlos Costa e Sílvia Lopes, da ENSP, instituição que não é vinculada ao documento.