A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) reúne-se na quarta-feira com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, para discutir uma solução para os professores do ensino artístico especializado com ordenados em atraso, entre outros assuntos.

"Temos reunião com o ministro da Educação no dia 16 [quarta-feira] e vamos aguardar até lá por uma resposta" aos problemas dos professores com ordenados em atraso, revelou hoje à agência Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, no final de um encontro com professores e a direção do Conservatório Regional de Évora.

Segundo o dirigente sindical, na reunião, agendada para quarta-feira, às 09:30, na sede do Ministério da Educação, vão estar também em cima da mesa assuntos como a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC) ou a requalificação profissional dos docentes.

Mas, a questão dos professores das escolas de ensino artístico especializado com ordenados em atraso "está à cabeça de qualquer problema" no encontro da próxima semana, frisou, lembrando que "é um problema que tem a ver com a vida das pessoas".

Mário Nogueira adiantou que o pré-aviso de greve dos professores das escolas de ensino artístico especializado "só será entregue" no dia 18, após a reunião com o ministro da Educação, depois de saber se "ainda se justifica" a paralisação, com início previsto para 04 de janeiro.

"Se o problema não for resolvido durante este mês, a partir de janeiro, e por tempo indeterminado, teremos um pré-aviso de greve que permitirá que os professores que não têm dinheiro para se deslocar possam entrar em greve", disse.


O secretário-geral da Fenprof voltou a defender a criação de "uma linha de crédito no valor exato dos salários que estão em atraso", sendo que quando fosse desbloqueado o financiamento "as escolas repunham esse dinheiro, mas sem pagar juros".

Outra possibilidade, segundo o sindicalista, passa por o Ministério da Educação solicitar "um visto tácito" ao Tribunal de Contas para desbloquear as verbas enquanto são analisados os processos enviados pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE).

"Os vistos do Tribunal de Contas não puderam ser passados porque a DGEstE mandou documentos incorretamente preenchidos e foram todos devolvidos", vincou, acusando a equipa do ex-ministro Nuno Crato de "irresponsabilidade e incompetência".

Mário Nogueira realçou que o Ministério da Educação informou a Fenprof de que "antes de fevereiro [de 2016] o problema não está resolvido".

No caso do Conservatório Regional de Évora, o sindicalista indicou que a escola "tem problemas gravíssimos" e que "tem por receber 200 mil euros", verba que "pode pôr em causa o seu próprio funcionamento".