A 1.ª fase do concurso de acesso ao ensino superior público colocou 42.958 novos alunos nas universidades e politécnicos, um aumento de 2,1% em relação à mesma fase, em 2015, segundo dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

Os quase 43 mil colocados em 2016, comparados com os 42.068 do ano anterior, traduz-se em mais 890 estudantes que conseguem lugar na 1.ª fase, face a 2015. Este ano houve na 1.ª fase mais 133 vagas a concurso do que em 2015.

Os dados da DGES hoje divulgados mostram que 51% ficaram colocados na sua 1.ª opção, sendo 84% a percentagem dos que conseguiram lugar numa das primeiras três opções.

A 1.ª fase registou 49.472 candidatos a 50.688 vagas, tendo ficado por preencher 8.022 lugares, 16% das vagas iniciais que ficam agora disponíveis para a 2.ª fase do concurso nacional de acesso.

A percentagem de colocações em 2016 é igual à do ano anterior, fixando-se nos 87%.

Numa divisão por subsistemas, 66,2% ficou colocado numa universidade, 33,8% num politécnico. Apenas o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, preencheu todas as vagas levadas a concurso na 1.ª fase. A Universidade Nova de Lisboa fica apenas com oito lugares por ocupar.

Tendo por base o número de entradas no ensino superior público, nos últimos dois anos, nas três fases do concurso nacional de acesso e nos diferentes regimes e concursos especiais, o Governo estima que, em 2016-2017, entrem 78.250 novos alunos no ensino superior público português, dos quais 7.400 nos cursos técnicos superiores profissionais (TESP), os cursos de dois anos lecionados em politécnicos, que conferem diploma superior, mas não grau académico.

Dos 580 TESP que vão funcionar em 2016-2017, quase metade são na área de ciências e tecnologias.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior estima ter 11.500 alunos matriculados nestes cursos no próximo ano, um número inferior ao da capacidade instalada nas instituições, que disponibilizam um total de 18.193 vagas para estas formações.

As estimativas da tutela apontam ainda para a entrada nas instituições públicas de mais de cinco mil novos estudantes internacionais.

60% dos cursos com todas as vagas preenchidas

Dos 1.060 cursos superiores disponíveis nas universidades e politécnicos públicos, 60% não deixaram qualquer vaga por preencher na 1.ª fase de acesso, mas 45 não tiveram qualquer aluno colocado.

De acordo com os dados da DGES, há 635 cursos que não deixaram vagas para a 2.ª fase do concurso nacional de acesso.

No entanto, 45 cursos superiores não tiveram qualquer procura, maioritariamente nos politécnicos do interior do país, e na área de engenharia.

Segundo os dados da DGES, há 191 cursos com menos de dez vagas preenchidas, incluindo-se aqui os 45 que ficaram desertos na 1.ª fase.

Se estes cursos não tiverem, até ao final do ano letivo, dez novos alunos matriculados, independentemente da via de acesso, correm o risco de ser encerrados, de acordo com as regras para a fixação de vagas em vigor.

No que diz respeito a áreas de formação, engenharias e técnicas afins, saúde e ciências empresariais lideram a lista de maior número de colocações.

Artes e ciências sociais do comportamento são outras duas áreas com um número elevado de colocações, acima dos três mil cada.

Houve ainda mais de mil colocados em cursos de formação de professores.

Serviços de segurança, serviços de transporte, agricultura, silvicultura e pescas e indústrias transformadoras são as áreas com menor número de alunos colocados, o que não significa que sejam áreas sem procura: serviços de transporte, por exemplo, preencheu as 83 vagas levadas a concurso, e foi primeira opção de 102 candidatos.

Engenharia e técnicas afins continua a ser a área que mais vagas disponibiliza no concurso nacional de acesso ao ensino superior, tendo levado à 1.ª fase 9.108 lugares.

Foi procurada em primeira opção por 8.434 candidatos, e registou 7.148 colocações, dando continuidade à tendência de recuperação em candidatos e colocados, depois de alguns anos com forte perda de alunos.

Arquitetura e construção, área onde se inserem os cursos de engenharia civil – os que mais alunos perderam nos últimos anos dentro das engenharias – levou 1.972 vagas a concurso, foi procurada em primeira opção por 859 estudantes e registou 1.200 colocações.

Medicina perde 'título' de média mais alta

O curso de Medicina foi este ano destronado como o detentor da média de entrada no ensino superior mais elevada, sendo os três primeiros lugares na lista ocupados por cursos de engenharia.

De acordo com os dados hoje divulgados pela Direção-Geral do Ensino Superior, os cursos de Engenharia Física Tecnológica e de Engenharia Aeroespacial, no Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, ambos com média de 18,53 valores, e o curso de Engenharia e Gestão Industrial, na Universidade do Porto, com nota de entrada de 18,48 valores, foram este ano os três cursos com a média de entrada mais elevada na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior.

O curso de Medicina da Universidade do Porto, com 18,4 valores, é o quarto na lista, depois de em 2015 ter sido o que registou a média mais alta de entrada nesta fase: 18,67 valores.

Segundo os dados da DGES, houve este ano na 1.ª fase de acesso ao ensino superior oito cursos com média de entrada superior a 18 valores: aos já citados juntam-se Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto (18,25), Medicina na Universidade do Minho (18,17) Bioengenharia, na Universidade do Porto (18,2) e Matemática Aplicada e Computação, no Instituto Superior Técnico (18,05).

Do lado dos cursos com médias mais baixas, há 38 cursos com notas de entrada iguais ou superiores a 9,5 valores e inferiores a 10 valores, com 824 estudantes a ficarem colocados com notas de entrada compreendidas neste intervalo.