O General Pina Monteiro diz que material roubado de Tancos valia 34 mil euros. Declarações à saída da reunião com o Governo que contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Depois de uma avaliação muito detalhado do material roubado, importa referir que tem um valor de cerca 34 mil euros, o que não significa, só por si, que não tenha importância", disse.

Segundo o responsável é possível agora referir que "os lança foguetes que foram roubados, provavelmente não terão possibilidade de ser utilizados com eficácia porque estavam selecionados para serem abatidos". Uma situação acaba por ser menos má já que, entre material roubado, este era o que representava mais perigo.

Pina Monteiro diz que levaram "um soco no estômago" mas que "os militares levantaram logo a cabeça e, face ao que aconteceu, há lições a tirar". Adicionalmente garantiu que "há medidas que vão ser tomadas a curto e a médio prazo".

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas garante que: "não caímos e estamos prontos para continuar a garantir a confiança dos portugueses nas Forças Armadas".

O responsável deixou ainda o alerta de que todos os portugueses têm que dar um contributo para a segurança.

Já António Costa quis "expressar apreço e reconhecimento às Forças Armadas".

Referindo que "o Governo fica tranquilo (...) Quero manifestar a confiança do Governo nos seus comandos (...). Estamos certo que, do que ocorreu, foram tomadas as lições e adoptadas as medidas que permitirão reforçar a segurança e garantir a plena operacionalidade das nossas Forças Armadas".

Quanto ao ministro da defesa,  Azeredo Lopes, Costa disse que: "tem toda a confiança do primeiro-ministro para o exercício das suas funções e exerceu as suas funções".

A Procuradoria-Geral da República anunciou na terça-feira passada que abriu um inquérito ao caso, por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional. A Judiciária está a seguir como pista mercenários portugueses

Entre o material de guerra furtado, a 29 de junho, dos Paióis Nacionais de Tancos, em Santarém, estão granadas mão, granadas anticarro e explosivos.

No Exército, decorrem averiguações internas. O ministro da Defesa Nacional admitiu desconhecer problemas de insegurança naquela base militar, determinou uma inspeção extraordinária às condições de segurança dos paióis.

Entretanto, e depois de o chefe de Estado-Maios do Exército ter decidido exonerar cinco generais, há um ambiente de clara divisão interna no ramo. No fim de semana, dois outros generais decidiram demitir-se, em rota de colisão com Rovisco Duarte.

Nem o próprio chefe do Exército, nem o Presidente da República, que é também Comandante supremo das Forças Armadas, reagiram ainda a estas demissões. 

Marcelo Rebelo de Sousa exigiu apenas o apuramento total dos factosocorridos em Tancos. Já o CDS-PP chegou mesmo a pedir a demissão do ministro Azeredo Lopes.