O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras confirmou esta quarta-feira à Lusa a detenção de dois alegados terroristas espanhóis no aeroporto Francisco Sá Carneiro, na Maia, procurados pelas autoridades espanholas.

A mesma fonte afirmou que os detidos pertencem ao grupo terrorista Resistência Galega.

Em comunicado enviado à Lusa, o SEF adianta que a detenção ocorreu esta quarta-feira de manhã naquele aeroporto, quando os dois espanhóis tentavam embarcar num voo para Caracas, Venezuela.

Um dos dois cidadãos, «procurados por terrorismo em Espanha», «foi identificado com passaporte venezuelano falsificado», acrescenta o SEF.

O SEF adianta que o cidadão espanhol tem 33 anos e foi condenado, em Espanha, a 11 anos de prisão pelos «crimes de participação em organização terrorista e por colocação de artefactos explosivos».

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, citando fontes da luta antiterrorista, o detido é o membro da Resistência Galega Héctor José Naya Gil.

As mesmas fontes lembraram que Héctor Naya Gil recorreu da sentença e que se encontrava a aguardar o recurso em liberdade. Porém, quando o tribunal lhe confirmou a pena não se apresentou ao juiz.

Héctor Naya Gil foi julgado em outubro de 2014 pela Audiência nacional juntamente com Xurxo Rodríguez Oliveira, já condenado por uma outro motivo, e Diego Santín Montero por colocarem três explosivos nas instalações da rádio e televisão no monte Sampaio, em Vigo.

Os detidos serão agora presentes a tribunal. 

Em fevereiro deste ano, o ministro espanhol do Interior, Jorge Fernández Diaz, disse, em Lisboa, que o grupo terrorista Resistência Galega pretendia instalar uma base logística no norte do país, considerando «imprescindível» a colaboração com Portugal.

Após um encontro com a ministra portuguesa da Administração Interna, Anabela Rodrigues, o ministro espanhol adiantou que o grupo terrorista Resistência Galela, «uma organização muito pequena» e «não comparável à ETA», pretende «ter no norte de Portugal algum tipo de base logística».

A detenção hoje, no Porto, junta-se a uma série de outros casos ocorridos em Portugal, nos últimos anos, com alegados separatistas bascos da ETA e terroristas islâmicos.

Em 1996, o basco José Luis Telletxea Maya foi detido pelas autoridades portuguesas quando tentava embarcar, com passaporte falso, para a Venezuela, tendo Espanha solicitado a sua extradição por supostas ligações à ETA.

A defesa de Telletxea Maya ganhou o recurso no Supremo Tribunal de Justiça, invocando a prática de tortura aos suspeitos de terrorismo. Cumprida que estava pena de prisão em Portugal por falsificação de documentos, o basco foi libertado e ficou a viver em Portugal, onde vendia produtos para automóveis.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque, foram detidos em Portugal argelinos com documentação falsa e suspeitas de ligações à Al-Qaeda, mas no julgamento de Sofiane Laib, no tribunal da Boa Hora, apenas se provou o crime de falsificação.

O Ministério Público mostrou-se contudo convicto, na altura, que elementos do grupo de Hamburgo (grupo dfa Al-Qaida responsável pelo ataque terrorista em Nova Iorque) haviam-se deslocado para Portugal ou Reino Unido.

Em 2010 foi descoberto um depósito de explosivos da ETA, numa vivenda em Óbidos, e detidos os etarras Garikoitz Garcia Arrieta e Iratxe Yànez.

O primeiro foi detido pela GNR em Torre de Moncorvo, depois de ter fugido a uma patrulha espanhola em Zamora e Iratxe Yanez, a mulher que seguia numa outra viatura, foi detida em Vila Nova de Foz Coa, quando viajava com documentação falsa num carro de matrícula francesa, com material explosivo, armas e munições.

Ambos acabaram por ser extraditados para Espanha junto à fronteira Caia/Elvas, sob fortes medidas de segurança.

Em 2014, um homem, de 29 anos, nascido em Angola e com nacionalidade holandesa, foi detido no aeroporto de Lisboa, suspeito de ligações a organizações extremistas islâmicos.

Os Relatórios de Segurança Interna (RASI) apontavam, desde 2006, para o registo em Portugal de «casos pontuais de deslocação de extremistas» islâmicos no país, admitindo-se que Portugal pudesse ser uma plataforma para a obtenção de apoio logístico a estes grupos islâmicos.