O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) considera que o relatório sobre os incêndios de Pedrógão Grande, em junho, demonstra “menor conhecimento na área de Emergência Médica e desconhecimento de factos essenciais” na atuação daquela entidade.

“O INEM não pode deixar de referir que muitos dos aspetos abordados no relatório Complexo de Incêndios ocorridos em Pedrógão Grande e concelhos limítrofes, iniciados em 17/6 refletem o menor conhecimento na área da Emergência Médica e o desconhecimento de factos essenciais da atuação do INEM”, refere aquela entidade num comunicado divulgado no sábado à noite.

Embora aponte críticas ao relatório sobre a tragédia, encomendado pelo Governo, o INEM "reconhece ao professor Domingos Xavier Viegas [líder da equipa da Universidade de Coimbra que elaborou o documento] grande competência no que concerne ao estudo dos incêndios florestais”.

O INEM defende que “várias das considerações constantes do referido relatório, no que concerne ao socorro e à assistência médica às vítimas, revelam uma confusão evidente entre o Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS, responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção Civil) e o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM, responsabilidade do INEM), incompreensíveis num relatório técnico que se pretende objetivo, rigoroso e cientificamente fundamentado”.

Nem o Instituto nem os seus profissionais (que são profissionais de saúde), têm competência técnica para as missões de busca e salvamento de pessoas e, muito menos, para combater fogos florestais”.

E acrescenta que “compete-lhe, isso sim, a prestação, sempre em condições de absoluta segurança, de cuidados de emergência médica pré-hospitalares. Emergência médica e busca e salvamento são duas áreas completamente distintas, com características singulares e exigindo competências profissionais distintas”.

Nos incêndios de Pedrógão, as funções desempenhadas por aquela entidade “desenvolveram-se em dois grandes eixos: o primeiro na resposta às necessidades das populações atingidas pelos incêndios no que concerne à prestação de cuidados de emergência médica e apoio psicossocial; o segundo, para garantir a assistência médica aos operacionais envolvidos nos teatros de operações”, alega o INEM, no comunicado divulgado na sequência de uma reportagem exibida no programa “Sexta às Nove” da RTP.

Nessa altura, o INEM registou:

  • 254 assistências (198 Pedrógão Grande + 56 Góis - entre os quais sete feridos graves, uma criança, quatro bombeiros e dois civis);
  • 87 evacuações para unidades de saúde;
  • 800 assistências das Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência (UMIPE).

O investigador Xavier Viegas disse há poucos dias, num seminário, que algumas das pessoas que acabaram por morrer devido ao incêndio de junho, em Pedrógão Grande, teriam sobrevivido se não tivesse havido atraso dos meios de socorro.