Notícia atualizada às 22:33

A Direção-geral da Saúde avançou, esta segunda-feira, que número de mortos devido à legionella subiu para cinco.

«Até às 15 horas de hoje, foram reportados 233 casos (228 na Região de Lisboa e Vale do Tejo, três na Região Centro e dois na Região Norte). Destes casos, 38 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos e até ao momento foram reportados cinco óbitos», pode ler-se no comunicado.


«Todos os casos reportados têm ligação epidemiológica ao surto que decorre em Vila Franca de Xira. As freguesias de Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa são as que continuam a registar a maior incidência», avança o mesmo comunicado.

Legionella: o ponto da situação

O mesmo comunicado avança que «no âmbito da investigação em curso, na zona afetada, já foram realizadas mais colheitas nos domicílios, para além da continuação dos inquéritos epidemiológicos».

O que é a Legionella?

Segundo a mesma fonte, «foram encerradas as torres de refrigeração das principais fábricas da zona afetada com vista a proceder à desinfeção e desincrustação das mesmas», como «medida de precaução tomada para reduzir possíveis focos de infeção até ser localizada a origem do surto».

Face à preocupação da população, a DGS anuncia ainda que «iniciou hoje um conjunto de sessões de esclarecimento junto destas unidades fabris».

A DGS continua a considerar que não há fundamento científico para encerrar escolas, lembrando que a legionella não infeta, em regra, crianças e jovens com idade inferior a 20 anos.

Última vítima mortal tinha também outros problemas

O Hospital de Vila Franca de Xira tem 56 doentes internados com legionella, alguns em cuidados intensivos, tendo morrido cinco pessoas, a última uma mulher de 81 anos que tinha «muitas patologias».

O balanço foi feito hoje à Lusa pelo diretor clínico do hospital, Carlos Rabaçal, explicando que a morte da doente se deu cerca de 90 minutos após ter sido internada. Dos 36 casos clínicos na enfermaria, a grande maioria «está a evoluir bem e já houve uma alta hospitalar», disse.

De acordo com o responsável, os serviços de urgência estão relativamente tranquilos, até porque há outros hospitais para onde há doentes que estão a ser encaminhados, além de que o hospital de Vila Franca está também «mais apoiado».

Durante a visita do ministro, responsáveis médicos e enfermeiros disseram que os profissionais do hospital mostraram muita disponibilidade e que até alguns que estavam de férias se disponibilizaram para as interromper.

José Barata, diretor dos serviços de infeciologia do hospital, admitiu à Lusa que até ao fim da semana outros doentes possam ter alta.

Vitor Gomes, 56 anos, é de Vialonga e deu entrada no hospital na quinta-feira da semana passada, com tosse e febres altas. Hoje, como disse à Lusa, sente-se muito melhor «e com mais forças».

«Estive dois dias em casa, a ver se passava, depois vim para o hospital e ao fim de uma ou duas horas disseram que eu tinha de ficar internado», contou, ao lado de outro doente também infetado com a bactéria, igualmente de Vialonga.

De acordo com os dois diretores os primeiros doentes surgiram de quarta para quinta-feira da semana passada e na quinta-feira a situação «foi explosiva». E as cinco mortes não os surpreenderam porque se tratou de pessoas que já tinham outras complicações de saúde.

Paulo Macedo disse-lhes que foi da parte deles «muito positiva» a abordagem perante a epidemia, de tranquilizar as pessoas, e enalteceu a resposta «eficaz» ao grande número de casos.

O presidente da Câmara de Vila Franca, Alberto Mesquita, que também acompanhou a visita do ministro, disse à Lusa que a autarquia está a analisar todas as situações e que episódios de legionella acontecem todos os anos mas não como a dimensão do atual, e defendeu que se mude a legislação na área ambiental, para que haja maior controlo sobre as unidades industriais.

Na tarde de hoje o diretor-geral da Saúde, Francisco George, visitou a seu pedido uma dessas unidades (Adubos de Portugal) e reuniu-se com os trabalhadores, explicando-lhe o que é e como se transmite a bactéria legionella.

Na unidade, disse João Paulo Cabral, administrador, «meia dúzia» de pessoas foi infetada e por isso a fábrica parou totalmente, aguardando pelos resultados das análises, que devem de estar prontos na terça-feira, disse aos jornalistas.

Antes Francisco George já tinha dito a mais de 100 trabalhadores, reunidos no refeitório, que a bactéria se transmite através de gotas de água e que houve casos de legionella em locais como Coimbra, Porto ou Castelo Branco mas que todos tinham alguma relação com o triângulo constituído pelas freguesias de Vialonga, Santa Iria da Azóia e Forte da Casa.

E que não se sabe a origem da epidemia, que se pode beber água da torneira, que está muita gente a trabalhar para resolver o problema. «Estamos muito preocupados. Não dizemos que isto não é nada», disse aos presentes. E disse-lhes também que se morasse na zona faria a «vida normal» mas que ia evitar «água sob pressão».