Centenas de taxistas arrancaram hoje, cerca das 09:30, do Parque das Nações, em Lisboa, em marcha lenta em direção à Assembleia da República. A marcha lenta dos taxistas está a ser “fortemente acompanhada pelas forças de segurança”, como constatou a agência Lusa no local.

A marcha contra a legalização da Uber começou meia hora depois do inicialmente previsto, uma vez que a polícia começou a desviar os profissionais que chegavam do norte do país para o IC2, provocando atrasos na entrada dos motoristas em Lisboa, segundo disse à Lusa fonte da organização do protesto.

Os taxistas concentraram-se – como previsto – no Parque das Nações, em Lisboa, antes da marcha lenta em direção à Assembleia da República, quase seis meses depois de terem feito um protesto idêntico contra a plataforma Uber, que juntou centenas de carros na capital.

O responsável pelo grupo de trabalho da Federação Portuguesa de Táxis, Eduardo Cacais, que se encontrava junto ao Campus da Justiça, no Parque das Nações, fez um apelo para que os manifestantes não respondam a qualquer “ato de violência” durante a marcha.

Da mesma forma, Florêncio Almeida, da ANTRAL (Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros), presente no ponto de encontro do protesto, frisou que os taxistas “não vão responder a violências" ou a eventuais “provocações”.

Florêncio Almeida acrescentou que a manifestação tem como objetivo a “defesa do setor do táxi” e que as regras devem ser “iguais” para todos.

Federação pede intervenção do Presidente da República

O líder da Federação Portuguesa do Táxi pediu a intervenção do Presidente da República no diferendo entre a Uber e os profissionais do setor, acusando o Governo de incapacidade de resolver o problema.

Seria bom que o Presidente da República dissesse umas palavrinhas no dia deste protesto”, disse Carlos Ramos, apelando ao chefe de Estado para “não promulgar a lei”.

“Esperamos uma grande adesão porque nós temos razão. Não vamos ser mais taxistas (a manifestarem-se) porque, nos últimos dias, houve uma grande campanha de desinformação para nos assustar”, disse ainda Carlos Ramos, criticando o Governo pela “falta” de soluções para o problema do setor.

“O que nos queremos é dialogar com o Governo. Não queremos imposições porque esta lei não serve. Serve para a Uber e o Costa (primeiro-ministro António Costa) tem de arranjar uma solução, temos de parar os ilegais”, disse ainda Carlos Ramos

Em luta contra a regulação da atividade das plataformas de transportes de passageiros como a Uber ou a Cabify, os organizadores prometem apenas abandonar a Assembleia da República – onde termina a marcha lenta - quando o executivo travar aqueles serviços, que dizem não estar abrangidos pela lei.

As plataformas Uber e Cabify permitem pedir carros descaracterizados de transporte de passageiros através de uma aplicação para ‘smartphones’, mas estes operadores não têm de cumprir os mesmos requisitos – financeiros, de formação e de segurança – do que os táxis.

O percurso da marcha lenta inclui a Praça José Queirós, as avenidas Dr. Francisco Luís Gomes e de Berlim, o Aeroporto de Lisboa, a Rotunda do Relógio, as avenidas Almirante Gago Coutinho e Estados Unidos da América, o Campo Grande, a Avenida da República, o Saldanha, o Marquês de Pombal, os Restauradores, o Rossio, a Rua do Ouro, o Campo das Cebolas (em substituição da Rua do Arsenal, em obras), o Cais do Sodré, a Avenida 24 de Julho e as ruas D. Carlos I e de São Bento.

A organização anunciou que a marcha lenta seria feita nas viaturas de serviço, mas a PSP indicou que os carros terão de ser estacionados na Avenida 24 de Julho, uma vez que em frente ao parlamento haverá, a partir das 10:00, outra manifestação, organizada por uma estrutura sindical.