O denominado 'caso das Secretas', em que são arguidos o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho e o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, começa a ser julgado em Lisboa esta quarta-feira.

O início do julgamento sofreu vários adiamentos e começa quase ano e meio após o despacho de pronúncia que colocou cinco arguidos no banco dos réus.

O caso teve origem em suspeitas de acesso ilegal à faturação detalhada do telefone do jornalista Nuno Simas, que à data dos factos escreveu vários artigos sobre a situação interna do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED).

Jorge Silva Cravalho e um funcionário do SIED, João Luís, foram pronunciados por acesso ilegítimo agravado, em concurso com um crime de acesso indevido a dados pessoais e por abuso de poder.

O "ex-espião" foi ainda pronunciado por um crime de violação de segredo de Estado e por um de corrupção passiva para acto ilícito.

Nuno Vasconcellos está pronunciado por um crime de corrupção ativa para acto ilícito.

O funcionário do Sistema de Informações e Segurança (SIS), Nuno Dias, está acusado por um crime de acesso ilegítimo agravado e a sua companheira Gisela Fernandes Teixeira (ex-funcionária da Optimus) por um crime de acesso indevido a dados pessoais e um crime de violação do segredo profissional.

No processo, o MP sustenta que Nuno Vasconcellos decidiu contratar Jorge Silva Carvalho para os quadros da Ongoing, para que este último obtivesse informação relevante para aquele grupo empresarial, através das secretas.

Jorge Silva Carvalho - que tem como advogado João Medeiros - pediu o levantamento de segredo de Estado a que estava vinculado para falar abertamente durante a sua defesa, mas o pedido foi recusado.

O secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, está indicado como sendo uma das testemunhas do julgamento.