A leitura do acórdão do processo do presumível homicida de S. João da Pesqueira, marcada para esta sexta-feira, foi adiada pela segunda vez devido a um requerimento apresentado pelo seu advogado, informou fonte do Tribunal de Viseu.

Manuel Pinto Baltazar, conhecido por “Palito”, está acusado de ter disparado uma arma tipo caçadeira contra a filha e a ex-mulher (Sónia Baltazar e Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas) e duas familiares desta (a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que morreram).

A fonte judicial explicou aos jornalistas que, na quinta-feira, juntou-se ao processo um requerimento interposto pelo advogado de Manuel Baltazar a pedir “esclarecimentos relativamente a algumas questões” que poderão vir a alterar a decisão do coletivo de juízes.

Nesse âmbito, foi marcada nova sessão para a próxima terça-feira à tarde, durante a qual serão ouvidos dois médicos e dois inspetores da Polícia Judiciária, estes últimos “relativamente à balística”, acrescentou.

A leitura do acórdão já tinha estado marcada para 29 de junho, tendo sido adiada para hoje devido a uma “alteração não substancial” dos factos relacionada com o número de disparos.

A acusação refere que Manuel Baltazar atingiu primeiro Elisa Barros, a seguir Maria Angelina, e depois, numa altura em que Sónia e Maria Lina estavam de costas, a uma distância de cerca de cinco metros, empunhou novamente a arma e disparou, atingindo a filha e a ex-sogra.

No dia 29 de junho, a presidente do coletivo de juízes leu uma deliberação que teve como objetivo concretizar que, nesse momento, foram disparados dois tiros, atendendo ao que disseram várias testemunhas e assistentes durante a produção de prova e aos vestígios encontrados no local.

Segundo a juíza, Manuel Baltazar “agiu com intenção de provocar a morte” quer à filha, quer à ex-sogra.

“São concretizações”, frisou, acrescentando que não se trata de nenhuma novidade e que esta é uma matéria que foi sendo debatida ao longo do julgamento.

Apesar disso, o advogado de Manuel Baltazar disse não prescindir do prazo para exercer o direito de defesa e, por isso, a leitura do acórdão foi adiada para hoje.

Manuel Baltazar está acusado de quatro crimes de homicídio qualificado (dois dos quais na forma tentada) ocorridos em Valongo dos Azeites em abril de 2014, um crime de detenção de arma proibida e outro de violação de proibições ou interdições.