A GNR levantou, em todo o país, 71 autos de contraordenação a proprietários por falta de limpeza de terrenos florestais, que podem ficar sem efeito se a limpeza for assegurada até 31 de maio.

"Desde o dia 2 de abril já foram elaborados pela GNR 71 autos de contraordenação", avançou o chefe da seção do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) do Comando Territorial da GNR Viana do Castelo, Miguel Branco.

O responsável, que falava aos jornalistas durante uma ação de fiscalização realizada em Viana do Castelo e Caminha, adiantou que desde 15 de janeiro esta força policial efetuou, em todo o país "7.760 ações de sensibilização que alcançaram 111.522 pessoas".

O militar adiantou que a fase de sensibilização dos proprietários "superou as expetativas", com "uma adesão muito grande" às ações promovidas, considerando que essa participação se reflete em “cada vez mais terrenos limpos".

Na Amorosa, freguesia de Chafé, em Viana do Castelo, a GNR levantou dois autos de contraordenação - um por falta de limpeza de um terreno situado junto a uma empresa e outro a um aglomerado populacional.

"Este proprietário vai ser autuado porque não tem a gestão de combustível efetuada, nomeadamente a distância das copas está a menos de cinco metros da edificação e a própria distância entre copas é inferior a dez metros", explicou, referindo-se ao terreno junto da unidade fabril.

Miguel Branco explicou que, após a elaboração do auto de contraordenação, é informada a Câmara Municipal, que "irá notificar o proprietário e dar-lhe um prazo para fazer a limpeza".

"A partir do dia 1 de junho vai ser verificada, novamente, a situação. Se o proprietário não efetuou a gestão de combustível até 31 de maio vai ser notificado para o pagamento da contraordenação ou para apresentação de defesa para constar no processo de contraordenação", especificou.

No concelho vizinho de Caminha, na freguesia de Vila Praia de Âncora, Rosa Parente, de 69 anos, tem dois terrenos limpos, mas ao lado o trabalho ainda está por fazer.

"Está cheio de austrálias e não vejo maneira de o limparem. Acho que deviam limpar porque assim não tem muito jeito, uns limparem e outros não", afirmou, lamentando o custo da limpeza de seis mil metros quadrados.

"O pior foi pagar 800 euros. Onde vamos buscar rendimento destes terrenos para poder pagar?" questionou, referindo-se ao abandono a que estão votadas as terras.

"Isto foi estragado com a CEE e outras coisas assim. Pagaram para as pessoas arrumarem com a lavoura. Os pequenos tinham de acabar e deu no que deu", frisou, lembrando os fogos de outubro do ano passado, que também "lamberam" as suas propriedades.

Os terrenos, acrescentou, estavam limpos, mas quando o fogo “chegar perto, vai tudo”.

Para Rosa Parente, a prevenção de incêndios "passou do oito aos oitenta, por causa das desgraças".

"Agora fazem isto. Já devia ter sido prevenido há mais tempo", disse.

Quem não tem mãos a medir é a empresa de Fernando Cunha, de Vila Nova de Cerveira, que "já tem rejeitado algum trabalho".

O empresário reforçou o número de trabalhadores, "difíceis de encontrar e agora a pedir mais dinheiro", mas reconheceu que as solicitações "são bastantes” e que “tem sido uma corrida muito grande, para cumprir os prazos".

A dificuldade em "escoar" a madeira junto das empresas de celulose da região, que “estão superlotadas", foi outra dos problemas que apontou, até porque também recebem esta matéria-prima da Galiza (Espanha), zona afetada por incêndios florestais no ano passado.