A Comissão de Trabalhadores da Carris defendeu hoje que todos os municípios servidos pela Carris podem ter uma palavra a dizer sobre a gestão da empresa, mas para isso têm que “colaborar nos custos” de os servir.

“Entendemos que todos os municípios onde a Carris entra podem, eventualmente, ter uma palavra a dizer, mas há uma coisa que também sabemos, é que quando queremos dar opinião há uma coisa que se exige: normalmente, é pagar”, afirmou o porta-voz da Comissão de Trabalhadores da Carris, Paulo Gonçalves, após uma audiência com o grupo parlamentar do PCP, na Assembleia da República.

Neste sentido, o representante dos trabalhadores afirmou que não tem “rigorosamente nada contra” a possibilidade dos outros municípios servidos pela Carris, além de Lisboa, se pronunciarem sobre o futuro da rodoviária, mas para tal essas Câmaras Municipais tem que estar disponíveis para “colaborar nos custos e nos encargos” associados ao serviço das carreiras que vão até esses mesmos municípios.

“O que acontece hoje na empresa Companhia de Carris de Ferro de Lisboa é que nós servimos franjas de um conjunto de concelhos à volta de Lisboa. Vamos a Oeiras, Odivelas, Amadora, Loures, mas são poucas carreiras e são questões residuais”, disse Paulo Gonçalves, considerando que “quando se fala que a Carris serve o concelho de Loures, isso não corresponde à verdade”.

Para o porta-voz da Comissão de Trabalhadores, a Carris deve continuar a “servir o concelho de Lisboa”, pelo que “é para isso e é por isso” que os trabalhadores estão “perfeitamente de acordo com todo este processo de municipalização”.

“Isto não invalida que amanhã, se chegarmos à conclusão e se forem criadas as condições de que a Carris deve crescer e estender-se a outros concelhos - mas isso só o futuro o dirá -, nós tudo o que seja para o crescimento da empresa estamos plenamente de acordo”, frisou o representante dos trabalhadores, acrescentando que o objetivo é que “a empresa cresça, crie riqueza, crie postos de trabalho e por aí fora”.

A 1 de fevereiro, a Câmara de Lisboa assumiu a gestão da rodoviária Carris - 41 anos depois de a ter ‘perdido’ para o Estado -, num processo que gerou alguma polémica, após o PCP ter pedido a apreciação parlamentar do decreto que dá ‘luz verde’ à transferência.

Além de Lisboa, a Carris serve também os concelhos de Loures, Odivelas, Amadora, Oeiras e Almada.

Na quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Loures reiterou a sua oposição à entrega da gestão da Carris apenas ao município de Lisboa e defendeu para os transportes públicos um modelo semelhante ao das águas e saneamento.

Em declarações à agência Lusa, Bernardino Soares (CDU) afirmou que as últimas situações ocorridas no setor dos transportes, nomeadamente a entrega da Carris a Lisboa e o fim dos passes combinados entre a Carris, o Metro e a Rodoviária de Lisboa, demonstram uma "preocupante descoordenação".

No município de Loures, liderado pela CDU, a decisão de entregar a gestão da Carris à Câmara de Lisboa não é consensual entre todas as forças políticas do concelho, sendo que apenas o PS concorda com esta transferência.