A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) alertou este domingo para a continuação da ocorrência de cheias nos distritos do Porto e de Vila Real durante a noite devido à persistência da precipitação nas próximas horas e aumento dos caudais do Douro.

Numa conferência de imprensa realizada nas instalações da ANPC, em Carnaxide, concelho de Oeiras, o comandante nacional de Operações de Socorro, José Manuel Moura, indicou que "o alerta amarelo vai manter-se até à meia-noite de segunda-feira", mas não se preveem cheias no sul do país.


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Até ao momento, a ANPC registou 836 ocorrências, sobretudo devido a inundações e quedas de árvores, mas o responsável indicou que não existem vítimas, a não ser um bombeiro que ficou ferido sem gravidade quando fazia o corte de uma árvore.

A ANPC indicou que as cheias que poderão ocorrer em particular "nas zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis" dos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Penafiel, Amarante (distrito de Porto) e Peso da Régua (distrito de Vila Real).

"A zona norte do país tem sido a mais atingida pelas cheias devido aos vários dias de precipitação acumulada, que está a afetar seriamente as bacias hidrográficas", disse o comandante, acrescentando que são esperadas mais ocorrências de cheias durante a noite deste domingo e madrugada de segunda-feira.

A ANPC estima que o pico das cheias aconteça às 03:00 de segunda-feira, quando se registar uma eventual subida do caudal do rio Douro devido às descargas nas barragens em Espanha e a ocorrência da maré alta.

Embora a frente de precipitação esteja a progredir para o sul, será menos forte, e não estão previstas inundações, segundo o comandante nacional de Operações de Socorro.

"Não estão previstas cheias no sul do país, mas as populações devem adaptar os seus comportamentos ao mau tempo em todo o país, nomeadamente na condução mais atenta, e evitar a prática de desportos em zonas afetadas pelo mau tempo", alertou o responsável.

Além das zonas ribeirinhas, a ANPC considera a possibilidade de inundações nos meios urbanos devido à possível obstrução de sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados, ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas.

A Proteção Civil alerta a população também para não se expor às zonas afetadas pelas cheias, evitar percorrer zonas inundadas, a pé ou em viaturas, para não correrem o risco de arrastamento.

Aconselha ainda para seguirem as informações do estado do tempo e as indicações da Proteção Civil e das forças de segurança.
 
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou de seis para 10 os distritos em aviso laranja, o segundo mais grave, por causa do mau tempo, prevendo agitação marítima também em Lisboa, Setúbal, Leiria e Coimbra.
 
Ao início da manhã de domingo, o aviso laranja tinha sido acionado para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Aveiro e Viseu, mas cerca das 12:20 passou a abranger mais quatro distritos, tendo em conta a agitação marítima.
 
Beja, Guarda, Castelo Branco e Faro estão com aviso amarelo.
 

Inundações e cheias


A água já chegou a um metro de altura no concelho da Maia, onde pelo menos uma pessoa ficou retida em casa devido à inundação da habitação onde vive, no rés-do-chão. Esta é uma das várias situações de desespero que se vive este domingo no norte do país, onde seis distritos se encontram em alerta laranja.


Na Maia, um centro comercial nem chegou a abrir esta manhã devido às inundações.

Segundo informações à TVI do 2º comandante dos Bombeiros de Valongo, Bruno Oliveira, as cheias do Rio Ferreira provocou várias inundações, com as águas a atingirem um metro.

Maia é uma das localidades mais afetadas, havendo registo, segundo o Jornal de Notícias, do aluimento de uma via da autoestrada 41, que se encontra cortada ao trânsito no sentido Alfena-Matosinhos, entre os quilómetros 5,7 e 7,5. 

O mau tempo obrigou ao corte de trânsito na Estrada Nacional (EN) 14 e da 104, à passagem pelo concelho da Trofa, distrito do Porto.

 Há também uma inundação que afeta a freguesia de Macinhata do Vouga, que se encontrou isolada pela subida das águas e, segundo relatos locais recolhidos pela TVI, chegou a haver "camas a boiar".

De madrugada, um pequeno tornado em Matosinhos assustou a população e deixou quatro desalojados.
 

Rio Tâmega inundou praça mais baixa de Amarante e provocou prejuízos


O rio Tâmega, em Amarante, atingiu de manhã a praça mais baixa da cidade, provocando prejuízos em alguns estabelecimentos de restauração, disse à Lusa a proteção civil local.

Segundo Hélder Ferreira, comandante operacional, o nível do rio chegou aos 6,3 metros, o que foi também suficiente para inundar as lojas de alguns estabelecimentos situados junto ao Tâmega, na margem esquerda.

Na rua 31 de janeiro, uma das mais comerciais da cidade e que poderá ser a próxima artéria a ser inundada se a situação evoluir desfavoravelmente, vários lojistas já retiraram os seus haveres, precavendo o pior e seguindo as indicações da proteção civil.

"Para já a situação está controlada, mas estamos de prevenção", afirmou Hélder Ferreira.

Depois de várias horas a chover intensamente, durante a noite e manhã, a situação deverá melhorar durante a tarde, previu Hélder Ferreira.

No concelho de Amarante há registo vários deslizamentos de terras.