O número de casos de legionella no Hospital São Francisco Xavier aumentou esta quinta-feira para 41. O novo balanço foi divulgado através de uma nota da Direção-geral da Saúde. O balanço anterior, divulgado na quarta-feira, dava conta de 38 casos

A mesma nota indica que continuam cinco doentes internados nos cuidados intensivos.

A grande maioria dos doentes, 71%, tem uma idade igual ou superior a 70 anos e 63% são do sexo feminino. O mesmo boletim adianta que todos os infetados com a bactéria têm doenças crónicas já existentes.

O surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier já provocou dois mortos.

O ministro da Saúde disse que se espera que entre segunda e terça-feira os novos casos de legionella comecem "a tender para zero", quando termina o tempo máximo para o período de incubação. Declarações feitas em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

Tal como foi sempre referido pela DGS, nós estamos a ter um perfil de casos novos que se acompanha daquilo que é a previsão e os casos têm vindo a diminuir na sua intensidade, o que faz supor que no período que nós estimamos que seja o dia 13 e 14, em que se finaliza o tempo máximo admissível para o período de incubação, esses casos começarão a tender para zero", assegurou Adalberto Campos Fernandes.

De acordo com o governante, "até ao momento não tem havido nenhum desvio àquilo que tem sido a análise epidemiológica da DGS" e, portanto, o executivo acredita que "essa tendência se acentuará".

Temos 41 casos identificados como positivos. Dois doentes já tiveram alta, dois infelizmente faleceram. E, dos restantes, estão cinco em cuidados intensivos e os restantes em internamento geral com sinais de recuperação e de melhoria significativa", sintetizou.

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Na terça-feira, o ministro da Saúde disse que a origem do foco de legionella em Lisboa foi o hospital São Francisco Xavier, considerando que as primeiras evidências apontavam logo para uma emissão dentro do perímetro da unidade hospitalar.

Estas declarações do titular da pasta da Saúde surgiram depois de o presidente dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) ter dito à agência Lusa que as autoridades tinham identificado nas redondezas do São Francisco Xavier pelo menos sete equipamentos potencialmente produtores de aerossóis e por onde poderia também ter começado o surto.

De acordo com o responsável, a maior probabilidade é que o surto tivesse tido origem nas instalações do hospital, mas, por precaução, a Administração Regional de Saúde (ARS) e o delegado de saúde fizeram o levantamento dos equipamentos potencialmente geradoras de aerossóis para fazer análises.

O Governo anunciou na quarta-feira que vai criar sanções e regras mais apertadas no controlo da qualidade do ar interior dos edifícios e nas torres de refrigeração para evitar o desenvolvimento de bactérias como a legionella.

A legionella é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infeção, podendo ir até 10 dias.

A infeção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.