O uso de telemóveis e auscultadores e o excesso de velocidade são as principais causas dos acidentes nas passagens de nível, disse hoje a responsável pela Segurança da Infraestruturas de Portugal, que alerta para a necessidade de alterar hábitos.

Há comportamentos menos corretos associados a distrações. Os telemóveis nos veículos e o excesso de velocidade, por exemplo. Os dois estão associados e causam distração do meio envolvente”, afirmou a diretora para a Segurança e Sustentabilidade Rodoferroviária na Infraestruturas de Portugal (IP), Luísa Garcia.

Por ocasião do Dia Internacional para a Segurança nas Passagens de Nível, que se assinala na sexta-feira, a responsável fez saber que, desde 1 de janeiro até hoje, foram registados sete acidentes, seis dos quais com uma vítima mortal.

Esses seis foram em passagens de nível automatizadas. As luzes acendem, as campainhas tocam e as barreiras descem, mas os carros passam e partem as barreiras. Alguns partem as barreiras e não chegam a atravessar. Há um aumento do número de barreiras partidas nos últimos anos".

A distração também é um problema entre os peões que usam “telemóveis associados com auriculares: abstraem-se a tudo o que se passa à volta” e os acidentes acontecem.

Segundo Luísa Garcia, outra questão que se coloca é o excesso de confiança de quem reside junto a uma passagem de nível, porque olham para ela “como uma instalação normal” e, na sua perspetiva, “o comboio não tem tanta perigosidade como para o passageiro ocasional”.

A diretora explicou que nas passagens de nível sem a proteção ativa “cabe ao condutor parar no stop e olhar para a via” e considerou que “talvez haja uma maior responsabilidade e sejam mais cautelosos” nessas passagens.

Para diminuir o número de acidentes nas passagens de nível, a IP vai lançar uma campanha de sensibilização com o slogan “Não brinque com os comboios, respeite a sinalização, não arrisque a sua vida”.

Queremos que as pessoas tenham atenção e evitem o uso de elementos que sejam motivo de distração. É essencial”, frisou Luísa Garcia.

No entanto, admitiu que “são comportamentos muito difíceis de inverter” e que este processo é demorado.

Existem atualmente em Portugal 855 passagens de nível, 461 das quais ativas e 394 passivas.