A lavrar há mais de 24 horas, o incêndio florestal que deflagrou em Pampilhosa da Serra não só ainda lavra, como passou de cinco para seis frentes de fogo à entrada da madrugada deste domingo, naquele concelho e também em Arganil.

Pelas 00:15, eram 577 os operacionais no terreno, apoiados por 174 viaturas.

Pelas 00:15, com “seis frentes muito fortes”, as chamas preocupavam os bombeiros, disse à agência Lusa o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Os ventos e a violência do próprio incêndio, que progride em zonas densamente florestadas e onde a matéria combustível está cada vez mais seca, favorecem a propagação das chamas e dificultam o seu combate.

Além disso, os meios de combate disponíveis são cada vez menos, tantas têm sido as ocorrências. Entre a meia-noite e as 22 horas de sábado, se registaram, no território do continente, mais de duas centenas de incêndios, quantidade superior à verificado em alguns dias de agosto deste ano.

Muitos desses incêndios eclodiram com grande violência e propagaram-se de forma muito rápida, salientou ainda Pedro Araújo. O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, esteve hoje na Pampilhosa da Serra e, embora não tenha "forma de provar", fala em "mão criminosa". 

As estradas nacionais 344, 508 e 544 permanecem cortadas ao trânsito naquela região do interior do distrito de Coimbra, referenciada designadamente pela Serra do Açor e pelo rio Ceira, onde existem várias aldeias da Rede do Xisto.

As chamas tiveram início pelas 23:20 de sexta-feira, em povoamento florestal próximo de Castanheira, na freguesia de Fajão e Vidual, em Pampilhosa da Serra, município do interior do distrito de Coimbra.

Este incêndio alastrou-se ao concelho de Arganil. A reportagem da TVI testemunhou uma frente de fogo muito intensa, com 30 quilómetros de extensão.

Várias povoações tiveram de ser evacuadas e habitações vazias chegaram mesmo a arder durante o dia de sábado. Um restaurante transformou-se num centro de acolhimento para a população.