Um veículo incendiou-se, esta terça-feira, no Túnel do Marão, no sentido Porto - Vila Real, pelas 12:40, apurou a TVI junto de fonte do CDOS e da GNR. 

Segundo a GNR, o trânsito esteve cortado nos dois sentidos e as chamas deflagraram no veículo sem que tivesse ocorrido qualquer acidente de viação. Perto das 14:00, o trânsito foi retomado no sentido Vila Real - Amarante e, pouco depois das 18:00, foi retomado no sentido Amarante - Vila Real.

Os ocupantes saíram ilesos: "Ao que tudo indica, só há a registar danos no veículo", adiantou a mesma fonte. 

O comandante dos bombeiros da Cruz Branca de Vila Real, Orlando Matos, referiu que se verificou um incêndio numa viatura dentro do túnel, na boca que sobe de Amarante para Vila Real. Segundo o responsável, os quatro ocupantes da viatura ligeira saíram pelo próprio pé o fogo está em fase de resolução.

Fonte da Infraestruturas de Portugal (IP) disse à Lusa que às 12:26 foi detetado o fumo no veículo, tendo sido logo acionado o plano de emergência. Foram contactados os meios, bombeiros e GNR, que se deslocaram imediatamente para o local.

Segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil, para o local foram mobilizados 36 operacionais e 11 viaturas.

O incêndio ocorreu na galeria sul e a norte foi fechada porque serve de saída de emergência e de evacuação.

A 11 de junho, um incêndio num autocarro com 20 passageiros obrigou ao encerramento do túnel, cuja reabertura total se verificou a 18 de junho.

Já em julho, ouvido na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, garantiu “confiança total” nas condições de segurança no Túnel do Marão, na sequência da resposta eficaz dos meios e equipamentos àquele incêndio.

Informando que a IP desenvolveu os seus inquéritos internos, o responsável garantiu ter havido “rapidez de intervenção” e “reposta atempada” dos sistemas e equipamentos.

O túnel que liga Amarante, no distrito do Porto, a Vila Real, abriu em maio do ano passado e tem duas galerias gémeas, cada uma com duas faixas de rodagem e com um comprimento de 5.665 metros. 

Autarca de Vila Real fala em descoordenação

O presidente da Câmara de Vila Real alertou para a “descoordenação total” que se verificou no Túnel do Marão e exigiu saber o resultado dos inquéritos solicitados após um primeiro incêndio numa viatura, em junho.

No espaço de dois meses, houve dois casos de incêndios em viaturas dentro do Túnel do Marão, na Autoestrada 4, entre Amarante e Vila Real. Hoje foi um automóvel que ardeu, a 11 de junho foi um autocarro. Em ambos os casos não se verificaram vítimas.

Temos que ter um sistema preparado para socorrer os sinistrados no Túnel do Marão e mais uma vez ficou provado que o sistema não está afinado. Felizmente não houve vítimas mas parece que é preciso que isso aconteça para que os simulacros sejam feitos como devem ser, para que os testes de segurança sejam afinados, para que o controlo de tráfego passe a ser feito a partir do Túnel do Marão”, afirmou o autarca socialista aos jornalistas.

Numa primeira fase após a abertura do túnel, em maio de 2016, o centro de controlo funcionou a partir da infraestrutura, tendo sido, depois, deslocalizado para Almada. Para Rui Santos, os resultados “estão à vista”.

Uma descoordenação total, camiões a fazerem marcha atrás em pleno túnel, carros a virarem-se e a seguirem a faixa em sentido contrário”, referiu.

O autarca quer saber, rapidamente, qual o resultado dos inquéritos “que supostamente foram feitos” quer pela Infraestruturas de Portugal (IP) quer pelo Governo, após o primeiro caso de incêndio.

Sistemas de segurança "funcionaram eficazmente"

A Infraestruturas de Portugal (IP) esclareceu que os sistemas de segurança “funcionaram eficazmente” no Túnel do Marão, assegurando a “deteção imediata” do incêndio num automóvel e contribuindo para a “pronta resposta” das autoridades.

A IP informou, em comunicado, que às 12:26 foi detetado pelo Centro de Controlo de Tráfego um princípio de incêndio numa viatura ligeira de passageiros, na galeria sul do Túnel do Marão (sentido Amarante - Vila Real).

De imediato, explicou, foi ativado o plano de emergência e procedeu-se ao corte de tráfego nos dois sentidos de circulação.

A IP referiu ainda que, sob o comando do Centro Distrital de Operações de Socorro, colaborou nas operações de coordenação do trânsito e na retirada em segurança dos veículos que ficaram retidos na proximidade de ambas as entradas do túnel.

Os ocupantes do veículo sinistrado foram retirados em segurança e apenas se registaram danos materiais, com a destruição da viatura e alguns danos em equipamentos no interior do túnel.

A IP salientou que os sistemas de segurança “funcionaram eficazmente, assegurando a deteção imediata da emergência e contribuindo para a pronta resposta das autoridades”.

Concluído o combate ao incêndio e debelada a situação de emergência foi, pelas 13:39, restabelecida a circulação automóvel na galeria norte, sentido Vila Real - Amarante.

Na galeria sul do Túnel do Marão, realizaram-se trabalhos de limpeza e reparação da zona afetada pelo incêndio e a circulação foi normalizada por volta das 18:00.

Relativamente às notícias veiculadas através da comunicação social, indicando que alguns condutores forçaram a abertura de portões de acesso de emergência, a IP esclareceu que estes portões se “destinam à circulação de veículos adstritos à operação e emergência do túnel” e que “só devem ser abertos quando as forças de autoridade assim o determinam”.

Acrescentou que, em situações de emergência, poderão igualmente ser utilizados para evacuação de viaturas dos utentes, mediante ordem das forças de autoridade.

“Ora, tendo-se verificado o sinistro na galeria sul, o portão de acesso do emboquilhamento poente foi prontamente aberto pela IP, de modo a que os veículos ligeiros (e só estes) acumulados nesse sentido saíssem de modo a deixar livre a faixa de rodagem para as viaturas de emergência chegarem ao veículo incendiado”, explicou a empresa.

O lado nascente estava “reservado para eventual utilização pelas forças de autoridade que acedessem pelo lado de Vila Real, caso estas não conseguissem utilizar a faixa de rodagem para chegar à galeria que, no cumprimento dos procedimentos de emergência, foi também encerrada”.

De acordo com a IP, os ocupantes dos veículos retidos junto a este acesso, “apesar de não correrem qualquer perigo, entraram num acesso sinalizado como de trânsito proibido exceto a veículos autorizados, forçaram o portão de emergência e usaram-no à revelia das autoridades, não respeitando as indicações da sinalização e colocando em risco a possibilidade de acesso rápido aos sinistrados por aquele local, caso tivesse sido necessário”.