Uma centena de pessoas concentrou-se esta quarta-feira em Santa Iria da Azoia, Loures, para contestar a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), numa ação que juntou autarcas, sindicalistas e ambientalistas.

A ação de protesto, que decorreu no Largo da Sociedade 1º de Agosto, no concelho de Loures, foi convocada pela Associação de Defesa do Ambiente de Loures (ADAL), Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (SITE-CSRA) e por algumas associações locais.

Em causa está o processo de alienação de 100% do capital estatal da EGF, responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos, através de 11 sistemas multimunicipais de norte a sul do país.

Estas empresas têm como acionistas a estatal Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%).

O concelho de Loures, juntamente com mais 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste, é servido pela empresa de resíduos Valorsul, cuja comissão de trabalhadores esteve também presente no protesto de hoje.

Em setembro de 2014, o Governo anunciou que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, tinha vencido o concurso para a privatização de 95% do capital da EGF.

Em declarações à agência Lusa, Rui Pinheiro, da ADAL, explicou que a associação ambientalista de Loures está preocupada com as consequências ambientais da privatização.

Para este responsável, “até agora não foram apresentados fundamentos lógicos” para privatizar a EGF e, consequentemente, a empresa de resíduos Valorsul.

“Isto é uma tentativa que nós fazemos para demonstrar que as populações desta zona não estão de acordo com este processo, porque vai complemente à revelia daquilo que eram os compromissos do estado com as populações quando aqui foi instalada a incineradora da Valorsul”, justificou.


Rui Pinheiro referiu que uma das propostas da SUMA é de fundir a Valorsul com a empresa de resíduos da Amarsul (Margem sul do Tejo) e criar uma linha na central de incineração de Loures, o que no entender do ambientalista vai pôr em causa as metas ambientais.

“Não se pode permitir que tragam para a Valorsul todo o lixo da Margem Sul e que se despeçam 25 % dos trabalhadores. Não se pode permitir que se ponha em causa o ambiente e a saúde desta população”, sublinhou.


Também em declarações à Lusa, Navalha Garcia, do SITE-CRSA, manifestou-se bastante crítico relativamente a este processo, antevendo que daí resultem despedimentos e “uma degradação das condições de trabalho”.

“Os trabalhadores estão bastante apreensivos porque nós conhecemos a prática da SUMA”, apontou.


O sindicalista referiu ainda que o seu sindicato esteve reunido há uma semana com o ministro do Ambiente, que negou que estivessem previstos despedimentos, uma garantia que, contudo, não os deixou tranquilos.

“Nós dissemos ao senhor ministro que só acreditaríamos se víssemos o contrato de adjudicação, mas o senhor ministro recusou dar a ler aos trabalhadores o contrato de adjudicação”, lamentou.


No final da ação, tanto sindicalistas como ambientalistas asseguraram que vão continuar a demonstrar a sua oposição a este processo.