Ter uma relação amorosa no local de trabalho em Portugal pode acabar em despedimento. António Garcia Pereira, advogado, disse à Agência Efe que «a pressão das normas de conduta de muitas companhias obriga, em muitos casos, a que o casal leve uma vida dupla e esconder a sua verdadeira relação».

Carlos e Maria são exemplos desta pressão. Conheceram-se numa empresa farmacêutica em Lisboa e a relação acabou por afetar a condição de trabalho. Ela não renovou o contrato e ele rescindiu de mútuo acordo com a empresa, cansado das pressões.

«Não se pode dizer com certeza que uma relação tenha obrigatoriamente consequências negativas no trabalho», defendeu o advogado, adiantando que «a atitude de algumas empresas são uma intromissão na vida provada ilegal e inconstitucional».

Portugal, Espanha e Grécia são os países onde é mais fácil despedir. De acordo com António Pereira a globalização fez com que o direito do trabalho se transformasse. Este controlo da vida privada dos trabalhadores começou nos anos 80 depois de 40 anos de ditadura. Noutros países, começou depois da crise do petróleo de 1973.

Há mais casos para além de Carlos e Maria, mas os custos judiciais e o tempo que o processo demora acaba por desmotivar os funcionários a denunciar estas situações de discriminação. 

«Os bancos, as telecomunicação, a indústria farmacêutica, os combustíveis e a comunicação social são setores nos quais um funcionário pode ser prejudicado na busca de outro trabalho», explica o advogado, relembrando que «a informação entre empresas sobre determinados trabalhadores circula facilmente e em Portugal o mercado de trabalho é pequeno».