O interior do país precisa urgentemente de jovens e de políticas globais para travar a quebra da população para metade prevista para daqui a 40 anos, alertou esta sexta-feira, em Vila Real, o investigador Anselmo Castro.

O docente da Universidade de Aveiro, especialista em questões demográficas, traçou hoje um cenário preocupante para o interior do país que se estende de Almodóvar a Melgaço, e mesmo em territórios próximos do mar.

O investigador, que falava à margem do II Fórum do Interior, que decorre entre hoje e sábado, em Vila Real, referiu que se tem verificado nas últimas décadas uma saída em massa de jovens e uma entrada de pessoas de meia-idade e mais idosas.

«Isto tem consequências a longo prazo terríveis porque esses jovens são os que têm possibilidade de serem pais, portanto não há pais, logo não há filhos”, sublinhou.

O especialista apontou para uma quebra populacional para metade da atual daqui a 40 anos e, para 20% daqui a cem anos, num cenário que considerou improvável, ou seja se não sair ou entrar ninguém neste território.

“Os outros 80 desaparecem só pelo saldo entre nascimentos e óbitos, essencialmente porque não há jovens e não há jovens porque esta corrente de saída dura há anos, anos e anos”, salientou.

No entanto, Anselmo Castro referiu que não é apenas o interior que é atingido, mas também alguns territórios do litoral.

Para travar este problema defende a implementação de “medidas globais” e de “longo prazo” que passem pela atração de pessoas, de empresas e de empregos.

E considerou que as medidas de apoio à natalidade implementadas por alguns municípios não se têm traduzido em resultados concretos.

Mais apoios para os territórios do interior foi precisamente a reivindicação que o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, mais ouviu hoje, neste fórum, que debate os problemas destas regiões de baixa densidade.

O reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD, António Fontainhas Fernandes, frisou a necessidade de “inverter a tendência de declínio”, referiu que os atores locais têm que unir esforços mas que “é preciso que o Governo acredite e apoie” a região.

“Este Governo não apenas já fez promessas como já adotou medidas concretas no sentido de procurar valorizar, de forma transversal, os territórios de baixa densidade”, afirmou o ministro aos jornalistas.

E entre essas medidas, Poiares Maduro referiu que os investimentos em matéria de fundos comunitários vão ser superiores nestas regiões aos investimentos que tiverem lugar em outras partes do país.

“O código fiscal de investimento também prevê majorações superiores para investimentos em territórios de baixa densidade e o regime de incentivos à comunicação social local e regional, que estamos a concluir, também prevê mais apoios”, acrescentou.

Estes são, segundo referiu, exemplos de uma preocupação que o Governo tem tido no sentido de "diferenciar positivamente estes territórios”.

O II Fórum do Interior é organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (Animar), em colaboração com a UTAD.