Os elevados preços das viagens aéreas entre Lisboa e Caracas e a falta de voos diretos para o Porto e o Funchal estão a dificultar as visitas dos luso-venezuelanos a Portugal, disse esta sexta-feira o secretário de Estado das Comunidades.

"É preciso cuidar de garantirmos uma relação mais fácil entre Portugal e a Venezuela, e uma das dimensões que me foi colocada no diálogo que foi feito comigo tem a ver com a TAP, com os custos de transporte da TAP e com a falta de voos diretos para o Porto e para a Madeira", disse José Luís Carneiro.

O governante falava à agência Lusa à margem de um encontro com empresários, que teve lugar na embaixada de Portugal em Caracas, no âmbito de uma deslocação de quatro dias à Venezuela.

"São matérias que preocupam muito aqueles que por força dos custos dos transportes dificilmente poderão visitar os seus familiares, os seus haveres, o seu património que têm em Portugal", frisou.

José Luís Carneiro explicou que foi "interpelado", por empresários e dirigentes associativos e conselheiros das comunidades "para procurar, junto das autoridades portuguesas, nomeadamente dos responsáveis da TAP, sensibilizá-los para a necessidade de criar outras condições, mais adequadas, para que possam manter uma ligação com o país por via do transporte aéreo".

Dados da Associação Internacional da Aviação (IATA) e da Associação de Linhas Aéreas Venezuelanas (ALAV), o Governo da Venezuela deve 3,7 mil milhões de dólares às companhias aéreas que operam no país, por conceito de receitas provenientes da atividade, correspondentes ao ano de 2012, 2013 e 2014.

Desde 2003 que vigora no país um apertado sistema de controlo cambial, que impede a livre obtenção local de moeda estrangeira e obriga as companhias aéreas internacionais a acudirem às autoridades a fim de obterem as autorizações necessárias para repatriar os capitais gerados pelas vendas.

Na sequência das dificuldades várias, houve companhias aéreas que optaram por cessar as suas atividades enquanto outras reduziram as frequências dos voos e o tamanho das aeronaves usadas nas operações para Caracas.

Desde 2014 que a maioria das companhias aéreas deixou de vender bilhetes em bolívares, a moeda venezuelana, passando a exigir o pagamento em dólares, com cartões de crédito estrangeiros.

Fontes do Governo português dão conta de que a TAP tem retidos quase 100 milhões de euros na Venezuela.