As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) poderão vir a acolher, a partir de maio, idosos abandonados nos hospitais por não terem para onde ir, anunciou o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

As IPSS, o ministério da Saúde e o ministério da Solidariedade e Segurança Social estão a estudar um acordo de cooperação que deverá ser assinado até final de abril, frisou o padre Lino Maia, à margem do I Encontro Nacional de Instituições de Solidariedade, no Porto.
 

«Há pessoas abandonadas nos hospitais, apesar de terem alta, porque não têm retaguarda familiar, nem meios financeiros e, portanto, nós consideramos que devemos dar a mão a essas pessoas que são as carenciadas entre as carenciadas».


Na opinião do presidente da CNIS, e fazendo alusão a uma visão economicista, se essas pessoas estiverem a ocupar camas nos hospitais ficam «mais caras» ao Estado, por isso, é necessário garantir-lhes «algum apoio». As instituições têm vagas e estão disponíveis para as contratualizar, disse.

Sem números quanto aos idosos que são «deixados» nas unidades hospitalares, Lino Maia considerou haver «picos» que se situam entre o período de férias e as épocas festivas.

Lino Maia frisou que nas grandes metrópoles os casos de «abandono» de idosos nos hospitais são maiores porque não têm apoio. Já nas regiões do interior há uma maior retaguarda familiar.

No futuro, o presidente da CNIS considerou que as instituições devem ser vistas como parceiras, entendendo ser importante criar-se uma plataforma do setor para que haja uma «voz» onde todos se reconheçam.

A CNIS, União das Misericórdias Portuguesas e União das Mutualidades Portuguesas assinaram, no final dos trabalhos, um Pacto de Confiança para regulamentar e reforçar a cooperação entre elas.