O português Miguel Agostinho, 30 anos, de Sintra, desesperava esta manhã de segunda-feira para sair da ilha Gili Trawangan, na Indonésia, após o sismo de 6.9 na escala de Richter ocorrido no domingo e que provocou mais de 90 mortos

Não há registo de vítimas mortais ou de feridos entre os cerca de 30 portugueses que se encontram nas zonas afetadas pelo terramoto, segundo confirmou a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP) à TVI24. Encontram-se nas ilhas Gili e Lombok e agora tentam abandonar o local entre os cerca de mil estrangeiros que ali estão. Imagens difundidas pela Reuters mostram uma multidão junto ao cais de embarque e escassez de meios para os resgatar rapidamente, uma vez que se sucedem réplicas.

Cerca de 200 turistas "indonésios e estrangeiros" já deixaram as três ilhas de Gili, e "ainda há cerca de 700 pessoas à espera de serem retiradas", avança um porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres. Já esta tarde, segundo informação da SECP, cerca de duas dezenas de portugueses estava a ser retirada das ilhas Gili, em embarcações do Governo Indonésio, a caminho de Lombok ou de Bali.

Após o sismo, um alerta de tsunami levou a que Miguel Agostinho e maioria dos estrangeiros a abandonarem os hotéis e a passar a noite na montanha mais alta da ilha de Gili Trawagan, segundo contou a irmã, Vanessa, à TVI24. “Ficaram sem Internet e agora estão sem luz”, descreve, com receio de que o irmão demore demasiado tempo a sair da ilha para um local mais seguro, ficando sem bateria no telemóvel. Ou seja, sem forma de contactar a família.

No domingo, uma nota do Governo português aconselhava todos os nacionais que ali se encontram a seguir as indicações das autoridades locais, mas os meios são visivelmente escassos, conforme descreveu à irmã. Com voo entre Bali e o Dubai marcado para esta semana, teme que possa não conseguir sair de Gili Trawangan.

Em informações à TVI24, a secretaria de Estado indica que “os serviços consulares portugueses irão continuar a acompanhar a situação” e relembra que os pedidos de informação sobre portugueses devem ser formulados para o Gabinete de Emergência Consular, estando o contacto com os portugueses no local está a ser estabelecido pela secção consular da Embaixada de Portugal em Jacarta.

O sismo de magnitude de 6.9, com o epicentro a dez mil metros de profundidade, ocorreu uma semana após um outro abalo, também na ilha turística de Lombok, que provocou 17 mortos e mais de 300 feridos. Diversas fotos divulgadas nas redes sociais revelam escombros nas ruas de Lombok provocados pelo sismo que suscitou também cenas de pânico na ilha vizinha de Bali, no aeroporto internacional.

“Houve tsunamis que entraram por terra com alturas de 10 a 13 centímetros. A altura máxima calculada é de meio metro”, já tinha assinalado em comunicado o porta-voz da agência.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que regista a atividade sísmica em todo o mundo, localizou o terramoto a 2,4 quilómetros a leste de Loloan, uma localidade no norte de Lombok. O sismo ocorreu às 19:46 locais (12:46 em Lisboa) de ontem e foi seguido por várias réplicas.